Boletim Científico - Número 11 - Novembro de 2008
Editores:
Walter J. Gomes – wjgomes.dcir@epm.br
Domingo M. Braile – domingo@braile.com.br
Prezados amigos
Este é o décimo primeiro número deste ano do Boletim Científico da SBCCV, abrangendo tópicos de interesse clínico e cirúrgico.
Os artigos são apresentados em forma de resumo comentado e se houver interesse do leitor no artigo completo em formato PDF, este pode ser solicitado no endereço eletrônico revista@sbccv.org.br
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Comparação da cirurgia de revascularização do miocárdio sem
circulação extracorpórea versus intervenção coronária
percutânea com stents farmacológicos em pacientes com doença
coronária triarterial.
Gijong Yi, et al. Comparison of Off-pump Coronary Artery Bypass Grafting With
Percutaneous Coronary Intervention Versus Drug-Eluting Stents for Three-Vessel Coronary
Artery Disease. Ann Thorac Surg 2008;86:1438-1443.
Este estudo comparou os resultados clínicos entre intervenção coronária
percutânea com uso de stents farmacológicos (SF) vs cirurgia de revascularização miocárdica sem uso de circulação extracorpórea (RMsCEC), em pacientes com
lesões de 3 vasos coronarianos.
O estudo incluiu 388 pacientes que foram tratados com SF ou RMsCEC e foram
comparados MACCE (eventos adversos maiores cardíacos e vasculares
cerebrais) cumulativo.
O total de seguimento foi de 98,5%. A duração do seguimento foi de 621,1 ± 259,9
dias (intervalo de 13 a 1117 dias). As taxas de MACCE nos grupos SF e RMsCEC
foram 9,8% vs 3,6% em 12 meses (p=0,015). Durante o seguimento, ocorreram
cinco mortes no grupo SF e uma no RMsCEC (p=0,1). A sobrevida em 3 anos foi
de 95,1% ± 2,9% no grupo SF e 99,5% ± 0,5% no grupo RMsCEC (p=0,075).
Sobrevida livre de MACCE em 3 anos foi de 73,3% ± 5,3% no grupo SF e 91,3% ±
2,9% no RMsCEC (p<0,001). O maior evento para as diferenças entre os grupos
foi revascularização da artéria alvo (p<0,001): 21 pacientes no grupo SF (10,8%)
vs 6 pacientes no RMsCEC (3,1%).
Os autores concluem que a RMsCEC apresentou melhores resultados clínicos e
taxa acumulada de MACCE em 12 meses, em pacientes com doença de 3 vasos.
O maior fator para esta diferença foi revascularização de artéria alvo. Seguimento
mais prolongado é necessário para clarificar as diferenças entre os dois grupos.
Pacientes de alto risco encaminhadas para implante percutâneo
transcateter de válvula aórtica: manejo e resultados.
Dewey TM et al. High-Risk Patients Referred for Transcatheter Aortic Valve Implantation:
Management and Outcomes. Ann Thorac Surg 2008;86:1450-1457.
A troca valvar aórtica (TVA) é o tratamento de escolha para a estenose aórtica
crítica. Alguns pacientes não eram anteriormente encaminhados para TVA por
causa do excesso de risco de mortalidade e morbidade associado com a cirurgia.
A opção de implante de valva aórtica transcateter (IVAT) aumentou a referência de
pacientes dessa coorte de alto risco para a intervenção terapêutica. São
apresentados o manejo e os resultados desses pacientes.
Os pacientes encaminhados para IVAT de dezembro de 2005 a dezembro de
2007 foram avaliados e acompanhados para mortalidade por todas as causas.
Nesses pacientes foram realizados tratamento clínico, IVAT, TVA convencional ou
valvoplastia por balão (VB), baseado no perfil de risco, critérios hemodinâmicos e
ecocardiográficos, decisão do médico clínico ou escolha do paciente. Os pacientes
foram comparados por dados demográficos, escore de risco de mortalidade da
STS e resultados após a TVA, IVAT e VB.
Cento e cinco pacientes foram encaminhados para IVAT durante um período de
24 meses. Desse total, 52 pacientes (49,5%) receberam tratamento clínico, 16
(15,2%) TVA convencional, 21 (20,0%) receberam IVAT e 16 (15,2%) tiveram VB.
O período médio de acompanhamento foi de 159 ± 147 dias. Mortalidade em 30
dias foi de 1/16 pacientes (6,3%) para o grupo TVA, 2/21 pacientes (9,5%) com
IVAT, 2/16 pacientes (12,5%) para a VB e 7/52 pacientes (13,5%) para o
tratamento médico. A mortalidade durante o período de seguimento de 159 ± 147
dias foi de 42,3% (22/52 pacientes) para o tratamento clínico, 19,1% (4/21
pacientes) para o IVAT, 12,5% (2/16 pacientes) para TVA e 37,5% (6/16
pacientes) para VB.
Os autores concluem que a população de pacientes referidos para IVAT é
complexa e heterogênea. O tratamento clínico isolado demonstrou um alto índice
de mortalidade e a VB, apesar de proporcionar alívio sintomático transitório, não
impacta favoravelmente a sobrevivência. A maioria dos pacientes referidos
(65,7%), incluindo aqueles que recusaram intervenção, foi candidata a alguma
forma de intervenção para substituição da válvula, quer TVA ou IVAT.
Resultados de longo-prazo após troca valvar aórtica isolada em
octogenários.
Thourani VH, et al. Long-Term Outcomes After Isolated Aortic Valve Replacement in
Octogenarians: A Modern Perspective. Ann Thorac Surg 2008;86:1458-1465.
Com o recente advento da terapia valvar percutânea, tem havido uma
necessidade crescente de avaliação de resultados após a troca valvar aórtica
(TVA) em pacientes idosos. Este estudo comparou em curto e longo prazo os
resultados de sobrevida após TVA em octogenários com grupos etários mais
jovens na era moderna da cirurgia cardíaca.
Revisão retrospectiva foi realizada em pacientes submetidos a TVA isolada
primária de 1996 a 2006 no Emory Healthcare Hospitals. Quinhentos e quinze
pacientes foram divididos em três grupos etários: 60 a 69 (n=206), 70 a 79
(n=221), e de 80 a 89 anos de idade (n=88) e os resultados foram comparados
entre os grupos etários.
Os grupos foram semelhantes com relação a mortalidade intra-hospitalar (p=0,66)
e tempo de permanência hospitalar (p=0,08). Preditores pré-operatórios de
mortalidade intra-hospitalar incluíram acidente vascular cerebral, doença pulmonar
crônica e insuficiência renal. Como esperado, a idade teve impacto significativo na
sobrevida em longo prazo. Outros fatores preditores de sobrevida de longo prazo
incluíram acidente vascular cerebral, tabagismo atual, diabetes e insuficiência
renal. A estimativa de Kaplan-Meier para a sobrevida mediana nos octogenários
foi de 7,4 anos.
Os autores concluem que na era moderna da cirurgia cardíaca, octogenários têm
resultados satisfatórios em curto e longo prazo após TVA. As comparações de
técnicas menos invasivas para TVA deverão basear em resultados da época
moderna e decisões sobre a intervenção cirúrgica em pacientes que requerem
TVA não devem ser baseadas apenas na idade.
Impacto do uso de clopidogrel em pacientes com síndrome
coronariana aguda e submetidos à cirurgia de revascularização
miocárdica.
Berger JS, et al. Impact of clopidogrel in patients with acute coronary syndromes requiring
coronary artery bypass surgery: a multicenter analysis. J Am Coll Cardiol. 2008;52(21):1693-701.
O objetivo deste estudo multicêntrico foi examinar o impacto da administração préoperatório
de clopidogrel nas taxas de reoperações, incidência de sangramento
com risco de vida, tempo de permanência hospitalar e outros resultados
relacionados com hemorragia em pacientes com síndrome coronariana aguda
(SCA) necessitando de cirurgia de revascularização miocárdica (RM) com uso de
circulação extracorpórea, em um amplo corte transversal de hospitais dos Estados
Unidos da América.
Uma análise de coorte retrospectiva foi realizada em pacientes com SCA
selecionados aleatoriamente e necessitando cirurgia de RM em 14 hospitais dos
E.U.A. Pacientes expostas ao clopidogrel (grupo A) foram comparadas com
aquelas não expostas ao clopidogrel (grupo B) dentro de 5 dias prévios à cirurgia.
Dos 596 pacientes incluídos no estudo, 298 tinham sido expostas ao clopidogrel
dentro de 5 dias antes da cirurgia. Os pacientes do grupo A foram mais de 3 vezes
mais propensos a necessitar reoperações para revisão de sangramento do que
pacientes não expostos ao clopidogrel (6,4% grupo A versus 1,7% grupo B,
p=0,004). Sangramento importante ocorreu em 35% dos pacientes do grupo A vs
26% dos pacientes no grupo B (p=0,049). Duração da estadia hospitalar foi maior
no grupo A comparado com o grupo B (9,7 ± 6,0 dias vs 8,6 ± 4,7 dias, p=0,016).
Após análise de regressão logística, a exposição ao clopidogrel dentro de 5 dias
da RM foi o mais forte preditor de reoperação e de sangramento maior.
Como conclusão, após SCA, pacientes submetidos à RM dentro de 5 dias da
exposição ao clopidogrel têm maior risco de reoperação, grandes hemorragias e
aumento do tempo de permanência hospitalar. Estes riscos devem ser
ponderados pelos benefícios clínicos que o uso do clopidogrel demonstrou em
ensaios clínicos randomizados.
Outros resultados de estudo do uso de clopidogrel e
sangramento após cirurgia de revascularização miocárdica.
Kim JH, et al. Clopidogrel use and bleeding after coronary artery bypass graft surgery. Am
Heart J. 2008;156(5):886-92.
Em curto prazo o uso de aspirina mais clopidogrel em pacientes com síndrome
coronariana aguda reduz eventos isquêmicos, mas as preocupações com
necessidade de cirurgia de revascularização do miocárdio (RM) e sangramento
limitam sua utilização precoce. Neste estudo usando dados do Duke Databank for Cardiovascular Disease de 4.794 pacientes consecutivos submetidos a RM (de
janeiro de 1999 a dezembro de 2003), foi avaliado modelos multivariáveis para as
associações relacionadas com a RM e definidas como reoperação por
sangramento, transfusão de glóbulos vermelhos, e um compósito de reoperação /
transfusão / queda do hematócrito > 15%. Foram analisados o uso de clopidogrel < 5 dias versus não-uso de clopidogrel < 5 dias antes da RM.
De 4794 pacientes submetidos a RM, 332 (6,9%) receberam clopidogrel < 5 dias
antes da RM, 127 (2,6%) tiveram reoperação por sangramento, 3277 (68,4%)
receberam transfusão de glóbulos vermelhos, e 4387 (91,5%) tiveram o
compósito. Após o ajuste, utilização do clopidogrel < 5 dias não foi
significativamente associado a reoperação ou ao desfecho composto. Clopidogrel < 5 dias foi modestamente associado com transfusão de hemácias.
Em conclusão, nesta base de dados, a administração de clopidogrel < 5 dias antes
da RM não foi associado significativamente com reoperação por sangramento ou
hemorragias, e apenas fracamente com transfusão de glóbulos vermelhos após a
cirurgia.
Fibrilação atrial no pós-operatório de cirurgia de revascularização
miocárdica afeta mortalidade imediata e tardia.
Mariscalco G, et al. Atrial Fibrillation After Isolated Coronary Surgery Affects Late Survival.
Circulation. 2008;118:1612-1618.
O aparecimento da fibrilação atrial (FA) após cirurgia de revascularização
do miocárdio (RM) apresenta implicações prognósticas ainda pouco
conhecidas. O objetivo do estudo foi verificar o impacto da FA após RM na
sobrevida imediata e tardia e avaliar o papel prognóstico na causa
específica da mortalidade. Estudo observacional prospectivo de 1832
pacientes submetidos a revascularização do miocárdio isolada entre janeiro
de 2000 e dezembro de 2005 em 2 centros de cirurgia cardíaca do norte da
Itália. Os pacientes com FA pós-operatória foram identificados e
acompanhados até a morte ou o final do estudo (30 de abril de 2007). Um
total de 570 pacientes (31%) desenvolveu FA após RM. Os pacientes
afetados pela FA pós-operatória tiveram maior tempo de internação
hospitalar e a mortalidade hospitalar também foi maior nos pacientes com
FA (3,3% versus 0,5%; P<0,001). As taxas de mortalidade em longo prazo
foram significativamente maiores para os pacientes com FA pós-operatória
(2,99 por 100 pessoas-ano), em comparação com aquelas sem a arritmia
(1,34 por 100 pessoas-ano), com P=0,001. Na análise de regressão de
Cox, os pacientes com FA mostraram-se em maior risco de falecer devido a
embolia, mas não de outras causas.
Na conclusão, a FA pós-operatória afeta mortalidades precoce e tardia após
cirurgia de revascularização do miocárdio. Os pacientes afetados pela FA
estão em maior risco de eventos embólicos fatais. Torna-se recomendada
cuidadosa vigilância pós-operatória com profilaxia antiarrítmica e
antitrombótica específica, visando reduzir a incidência de FA e suas
complicações.
A maioria dos pacientes com doença arterial coronária estável e
submetidos a angioplastia coronária não realizaram previamente
teste de detecção de isquemia miocárdica .
Lin GA, et al. Frequency of stress testing to document ischemia prior to elective
percutaneous coronary intervention. JAMA 2008; 300: 1765-1773.
As diretrizes estabelecem que nos pacientes com angina estável, a
intervenção coronária percutânea (ICP) deve ser realizada apenas em
artérias obstruídas e associada com isquemia moderada a grave no teste
não invasivo.
O objetivo deste estudo foi determinar a freqüência e preditores do teste de
esforço prévio à ICP eletiva em uma população Medicare. Estudo de coorte
observacional retrospectiva utilizando dados de uma amostra aleatória de
20% de beneficiários Medicare em 2004, com 65 anos ou mais de idade e
que tiveram ICP eletiva (N=23.887). Nos Estados Unidos, 44,5% (n=10.629)
dos pacientes foram submetidos ao teste ergométrico dentro dos 90 dias
anteriores à ICP eletiva. Houve ampla variação regional, com taxas de
testes de estresse variando de 22,1% a 70,6% (média nacional, 44,5%).
Sexo feminino, idade > 85 anos, história de insuficiência cardíaca
congestiva e cateterismo cardíaco prévio foram associados com diminuição
da probabilidade de teste ergométrico prévio. História de dor torácica e raça
negra aumentaram a probabilidade do teste de esforço prévio à ICP. Os
pacientes tratados por médicos realizando 150 ou mais ICP por ano foram
menos propensos a ter teste ergométrico antes da ICP. Os autores
concluem que a maioria dos pacientes Medicare com doença arterial
coronária estável não possuem documentação de isquemia por testes não
invasivos antes da ICP eletiva. Sugerem a reestruturação de pagamento
pelo Medicare para recompensar hospitais e médicos que aderirem às
diretrizes, isto poderia melhorar a segurança e a prestação de cuidados de
saúde aos beneficiários, diminuindo as despesas do Medicare.
Em um editorial acompanhando, os Drs. George Diamond e Sanjay Kaul,
ambos da Universidade da Califórnia, Los Angeles, comentam que a
redação das diretrizes deixa um "espaço amplo para interpretações bem intencionadas." Acrescentam que o pagamento com base em evidências
poderia ajudar a melhorar a adequação da utilização da ICP.
Estudo ASTRAL: Não há vantagem do uso de stent na artéria
renal versus o tratamento clínico.
Wheatley K. Lack of benefit of renal artery revascularization in atherosclerotic renovascular
disease (ARVD): Results of the ASTRAL trial. American Society of Nephrology 41st Annual
Meeting and Scientific Exposition. November 7, 2008. Philadelphia, PA.
Os resultados do estudo Astral, o maior ensaio randomizado para investigar
a eficácia do stent na doença renovascular aterosclerótica, mostraram que
não há nenhum benefício da revascularização sobre a terapia
medicamentosa. Os dados, apresentados em 7 de novembro de 2008, na
reunião anual da Sociedade Americana de Nefrologia, em Filadélfia, PA,
não indicaram melhorias na função renal, pressão arterial, eventos maiores
ou de morte entre os pacientes que receberam revascularização em 1 ano
de acompanhamento.
Foram randomizados 806 pacientes de 58 centros para tratamento médico
com e sem stent na artéria renal, entre 2000 e 2007.
Em 1 ano, não foram observadas diferenças entre os pacientes de ambos
os grupos em termos de eventos renais (P=0,3) ou mortalidade (P=0,6).
Mortalidade global em cinco anos foi de 43%. A mortalidade em ambos os
grupos foi idêntica em 4 anos em 32%.
Também não houve nenhuma diferença na função renal ou pressão arterial
sistólica entre os grupos em 1 ano de acompanhamento. A pressão
diastólica foi significativamente maior no grupo da revascularização em 1
ano, mas em 5 anos a diferença não foi mais significativa.
Publicada as diretrizes de tratamento de cardiopatias congênitas
no adulto.
Warnes CA, et al. ACC/AHA 2008 Guidelines for the Management of Adults with Congenital
Heart Disease: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association
Task Force on Practice Guidelines (writing committee to develop guidelines on the
management of adults with congenital heart disease). Circulation. 2008;118(23):e714-833.
Warnes CA, et al. ACC/AHA 2008 guidelines for the management of adults with congenital
heart disease: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association
Task Force on Practice Guidelines (Writing Committee to Develop Guidelines on the
Management of Adults With Congenital Heart Disease). Developed in Collaboration With the
American Society of Echocardiography, Heart Rhythm Society, International Society for
Adult Congenital Heart Disease, Society for Cardiovascular Angiography and Interventions,
and Society of Thoracic Surgeons. J Am Coll Cardiol. 2008;52(23):e1-121.
Cerca de 1,2 milhões de adultos com cardiopatia congênita necessitam
atendimento especializado nos Estados Unidos da América e as evidências para
recomendações de tratamento são limitadas.
Uma força-tarefa conjunta de experts representando o American College of
Cardiology e a American Heart Association publicou a primeira diretriz de
orientações para manejo destes pacientes, que pode ser encontrada nas
referências acimas.
Morfologia do forame oval patente associada com risco de
acidente vascular cerebral.
Goel SS, et al. Morphology of the patent foramen ovale in asymptomatic versus symptomatic
(stroke or transient ischemic attack) patients. Am J Cardiol. 2009;103(1):124-9.
As implicações clínicas da morfologia do forame oval patente (FOP) ainda são
debatidas e a análise quantitativa por ecocardiografia transesofágica (ETE) é útil
na caracterização dessa morfologia. O objetivo deste estudo foi determinar se
havia diferenças na anatomia dos FOPs no ETE em pacientes com e sem
acidente vascular cerebral criptogênico ou ataque isquêmico transitório
recorrentes.
Os resultados da ETE em 58 pacientes que tiveram fechamento do FOP por AVC
criptogênico foram comparados com 58 pacientes consecutivos assintomáticos
com FOPs encontrados incidentalmente no ETE. Os dados foram analisados para
as diferenças de tamanho do FOP (separação máxima do septo primum e septo
secundum), comprimento do túnel (sobreposição máxima do septo primum e
septo secundum), a presença de aneurisma de septo atrial (> 11 milímetros de
mobilidade), a severidade do shunt (leve, 3 a 9 microbolhas; moderada, 10 a 30
microbolhas; grave, > 30 microbolhas), a proeminência da válvula de Eustáquio; e
presença da rede de Chiari. Pacientes com AVCs tinham maior FOP (3,9 ± 1,6 vs
2,9 ± 1,4 mm, p<0,001), túneis mais longos (14 ± 6 vs 12 ± 6 mm, p=0,05) e uma
maior freqüência de aneurismas de septo atrial (45% vs 21%, p<0,005) quando
comparados com controles. Eles também tiveram uma maior proporção de FOP
grandes (> 4 mm) (46% vs 17%, p<0,001), túneis longos (> 1 cm) (78% vs 55%,
p<0,01), e shunts graves (16% vs 5%, p<0,06). Em conclusão, FOP em pacientes
com AVC criptogênico são maiores, têm túneis mais longos e são mais
freqüentemente associados com aneurismas de septo atrial. Estas informações
devem ser consideradas na avaliação de pacientes com AVC criptogênico.
Um dos achados mais interessantes do estudo foi que o comprimento do túnel foi
maior em pacientes sintomáticos vs assintomáticos. Isto corrobora nova hipótese
patogenética para a origem dos trombos que causam AVC, que podem se formar
dentro de túneis longos de FOP e não em uma veia da perna, como comumente
se acreditava.
Estudo OAT mostra ausência de benefícios da revascularização
tardia em oclusões coronárias totais após infarto do miocárdio.
Mariusz Kruk, et al. Predictors of Outcome and the Lack of Effect of Percutaneous Coronary
Intervention Across the Risk Strata in Patients With Persistent Total Occlusion After
Myocardial Infarction: Results From the OAT (Occluded Artery Trial) Study. J. Am. Coll.
Cardiol. Intv. 2008; 1: 511 - 520.
Estudos prévios de pacientes com síndrome coronariana aguda tinham sugerido
que o impacto da recanalização da artéria relacionada ao infarto seria maior em
pacientes de mais alto risco. Este estudo procurou determinar a influência do
impacto terapêutico da abertura mecânica tardia da oclusão coronária persistente
relacionada ao infarto em pacientes estáveis. Dos 2.201 pacientes com oclusão
persistente da artéria coronária relacionada ao infarto 3 a 28 após o infarto do
miocárdio incluídos no estudo OAT (Occluded Artery Trial), 1101 foram alocados
para intervenção coronária percutânea (ICP) e 1100 para tratamento clínico
apenas. O desfecho principal foi um composto de morte, reinfarto, ou insuficiência
cardíaca classe funcional IV New York Heart Association.
Aos 5 anos de acompanhamento, o desfecho principal ocorreu em 18,9% no grupo
ICP versus 16,1% tratamento clínico (p=0,23). A falta de benefício da ICP foi
consistente em todo o espectro de risco tanto para o desfecho principal como
mortalidade total. Os autores concluem que no estudo OAT, não houve variação
no efeito da ICP sobre os resultados clínicos dos pacientes de diferentes níveis de
risco.
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