Boletim Científico - Número 10 - Outubro de 2008
Editores:
Walter J. Gomes – wjgomes.dcir@epm.br
Domingo M. Braile – domingo@braile.com.br
Prezados amigos
Este é o décimo número deste ano do Boletim Científico da SBCCV,
abrangendo tópicos de interesse clínico e cirúrgico.
Os artigos são apresentados em forma de resumo comentado e se houver
interesse do leitor no artigo completo em formato PDF, este pode ser
solicitado no endereço eletrônico revistarevista@sbccv.org.br
Ressaltamos que será bem-vindo o envio de artigos de interesse por parte
da comunidade de cirurgiões cardiovasculares. Também comentários,
sugestões e críticas são estimulados e devem ser enviados diretamente aos
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Para pedido do artigo na íntegra - revistarevista@sbccv.org.br
Transfusão sangüínea pode estar associada a aumento de
mortalidade após cirurgia cardíaca.
Reeves BC et al. Increased mortality, morbidity, and cost associated with red blood cell
transfusion after cardiac surgery. Curr Opin Anaesthesiol. 2008;21(5):669-73.
Este artigo de revisão analisou a literatura desde 2006 para identificar os riscos,
benefícios e custos da transfusão de hemácias em cirurgia cardíaca.
Vários estudos encontraram forte associação com transfusão de hemácias e
mortalidade e morbidade pós-operatória. O efeito sobre a mortalidade foi mais
relevante logo após a cirurgia, mas estendeu-se também até 5 anos. Desfechos
de morbidade incluíram aumento de infecção de ferida operatória e sistêmica, insuficiência renal, tempo de ventilação prolongado, baixo débito cardíaco, infarto
do miocárdio e acidente vascular cerebral. Transfusão também foi fortemente
associada com aumento do tempo de permanência pós-operatória na terapia
intensiva e na enfermaria e, consequentemente, aumento do custo hospitalar.
Os autores concluem que os riscos de transfusão são potencialmente graves e de
conseqüências de longo prazo para os pacientes e são dispendiosas para os
serviços de saúde. Isto mostra que a prática de transfusão em cirurgia cardíaca
deve ser mais restritiva. O objetivo imediato deve ser o de evitar transfundir
pequeno número de unidades de hemácias em distúrbios em geral atribuídos à
anemia, uma prática que parece ocorrer em cerca de 50% dos pacientes
transfundidos. Ensaios randomizados comparando práticas restritivas e liberais de
transfusão são urgentemente necessários para comparar diretamente o equilíbrio
das vantagens e prejuízos da transfusão.
Risco de trombose de stent é mantido até quatro anos de
seguimento.
Wenaweser P, et al. Incidence and correlates of drug-eluting stent thrombosis in routine
clinical practice: 4-year results from a large 2-institutional cohort study. J Am Coll Cardiol
2008;52:1134-1140.
Este estudo com dados de duas grandes instituições procurou determinar o risco
de trombose tardia de stent (TS) durante o seguimento de longo prazo, após três
anos, analisando preditores e impacto na mortalidade. TS tardia tem sido
reportada ocorrer a um ritmo anual de 0,6% até três anos após implante de stents
farmacológicos (DES).
Foram submetidos a intervenção coronária percutânea (ICP) 8.146 pacientes com
stents eluidos com sirolimus (SES) (n=3823) ou paclitaxel (PES) (n=4323) e foram
seguidos até 4 anos após o implante. Terapia antiagregante plaquetária dupla foi
prescrita por 6 a 12 meses. TS definitiva ocorreu em 192 dos 8.146 pacientes,
com uma densidade de incidência de 1,0/100 pacientes / ano e uma incidência
cumulativa de 3,3% em quatro anos. O risco de TS continuou a um ritmo
constante de 0,53% entre 30 dias e 4 anos. Diabetes foi um preditor independente
de TS precoce, e síndrome coronariana aguda, idade e utilização do PES foram
preditores independentes de TS tardia. Taxas de óbito e infarto do miocárdio em
quatro anos foram de 10,6% e 4,6%, respectivamente. Os autores concluem que a
TS tardia ocorre de forma constante a uma taxa anual de 0,4% a 0,6% até quatro
anos. Diabetes é um preditor independente da TS precoce, enquanto que na
síndrome coronária aguda, idade jovem e implante de PES estão associados com
TS tardia.
Uso de clopidogrel além de um ano após implante de stent está
relacionado à menor mortalidade tardia.
Banerjee S, et al. Comparison of the impact of short (<1 year) and long-term (> 1 year)
clopidogrel use following percutaneous coronary intervention on mortality. Am J Cardiol
2008; Am J Cardiol. 2008;102(9):1159-62.
A duração ótima de administração de clopidogrel após intervenção coronária
percutânea (ICP) permanece desconhecida. O clopidogrel é atualmente
recomendado no mínimo de um mês e até 12 meses após implante de stent
convencional e farmacológico, respectivamente. Para determinar o impacto da
interrupção do clopidogrel um ano após a ICP, foram analisados os resultados de
12 meses de 530 pacientes consecutivos que realizaram ICP e estavam livres de
eventos cardiovasculares durante os primeiros 6 meses. Os resultados dos
pacientes que receberam clopidogrel por > 1 ano foram comparadas com as de
pacientes que receberam < 1 ano, 85% receberam stents farmacológico. O
clopidogrel foi usado > 1 ano ou até < 1 ano em 341 e 189 pacientes,
respectivamente. Durante um período médio de acompanhamento de 2,4 ± 0,8
anos, 40 pacientes (8%) faleceram, 21 (4%) tiveram infarto agudo do miocárdio e
89 (17%) foram submetidos a nova revascularização coronária. Comparados com
os pacientes com a administração de clopidogrel < 1 ano após ICP, aqueles que
receberam clopidogrel > 1 ano tiveram menor mortalidade (14,8% vs 3,5%, p <0,001). Em conclusão, o uso de clopidogrel por > 1 ano após ICP foi associado
com menor mortalidade.
Eficácia do clopidogrel e aspirina na tromboprofilaxia de valvas
mecânicas.
McKellar SH, et al. Short- and long-term efficacy of aspirin and clopidogrel for
thromboprophylaxis for mechanical heart valves: An in vivo study in swine. J Thorac
Cardiovasc Surg 2008;136:908-914 .
O objetivo do estudo foi avaliar alternativas à varfarina, testando a hipótese de que
o clopidogrel combinado com aspirina é eficaz para tromboprofilaxia de válvulas
mecânicas, usando um modelo suíno.
Suínos adultos foram submetidos a implante de conduto com prótese mecânica de
duplo folheto, na aorta torácica descendente. Os animais foram randomizado para
não anticoagulação (n=7), dalteparina administrada por via subcutânea, duas
vezes ao dia (n=9), 325 mg de aspirina (n=6), 75 mg de clopidogrel (n=6), ou 325
mg de aspirina e 75 mg de clopidogrel por dia (n=6) e sobreviveram por 30 dias.
Além disso, 11 animais foram randomizado para não anticoagulação (n=5) ou 325
mg de aspirina por via oral e 75 mg de clopidogrel por dia (n=6) e sobreviveram
durante 150 dias.
Aos 30 dias, observou-se 216 ± 270 mg de trombo formado para o grupo sem
anticoagulação; 53 ± 91 mg para o grupo dalteparina; 33 ± 23 mg no grupo
aspirina; 25 ± 10 mg para o grupo clopidogrel e 17 ± 9 mg no grupo combinado
aspirina e clopidogrel (P<0,01 para o clopidogrel e aspirina vs nenhuma
anticoagulação). Em 150 dias, observou-se 223 ± 200 mg de trombo para o grupo
sem anticoagulação e 4 ± 4 mg para o grupo de aspirina e clopidogrel (P=0,02).
Não foram observados grandes eventos hemorrágicos.
Os autores concluem que a eficácia de curto e longo prazo de tromboprofilaxia de
válvulas mecânicas pode ser alcançada mediante a utilização de dupla terapia
antiagregante neste modelo porcino. Ensaios prospectivos em humanos devem ser realizados com a combinação aspirina e clopidogrel como uma alternativa à
varfarina em pacientes com próteses valvares mecânicas de duplo folheto em
posição aórtica.
Parar de fumar é mais efetivo que remédios na redução de
mortalidade após revascularização do miocárdio.
van Domburg RT, op Reimer WS, Hoeks SE, Kappetein AP, Bogers AJ. Three life-years
gained from smoking cessation after coronary artery bypass surgery: a 30-year follow-up
study. Am Heart J. 2008;156(3):473-6.
Estudos prévios têm mostrado que a interrupção do tabagismo após um evento
cardíaco reduz o risco de mortalidade, mas este efeito, em termos de ganhos em
anos-vida, ainda não é conhecido. Neste estudo foram analisados os resultados
clínicos de 30 anos de acompanhamento dos 1.041 primeiros pacientes
consecutivos que realizaram com sucesso revascularização miocárdica isolado
entre 1971 e 1980. Todos os 551 fumantes (53%) foram incluídos neste estudo.
Destes, 43% pararam de fumar durante o primeiro ano enquanto que 57%
persistiram fumando. O seguimento mediano foi de 29 anos (variação 26-36 anos).
As taxas de sobrevida acumulada em 10 anos, 20 anos e 30 anos foram 88%,
49% e 19%, respectivamente, no grupo de pacientes que pararam de fumar, e
apenas 77%, 36% e 11%, respectivamente, nos que persistiram fumando
(P<0.0001). Após o ajuste para todas as características basais, a cessação do
tabagismo permaneceu como preditor independente de menor mortalidade.
Expectativa de vida no grupo que parou de fumar foi de 20,0 anos e 17,0 anos nos
que continuaram fumando (P<0,0001). Os autores concluem que a cessação do
tabagismo após revascularização miocárdica foi associada com um ganho de 3
anos de vida. A cessação do tabagismo teve efeito maior sobre a redução do risco
de mortalidade do que o efeito da intervenção ou qualquer outro tratamento.
Resultados de cirurgia iguais quando realizadas por cirurgiões
seniores ou em treinamento (residentes).
Stoica SC, et al. Long-term results of heart operations performed by surgeons-in-training.
Circulation. 2008;118(14 Suppl):S1-6.
Neste estufo foi investigado o resultado tardio de operações realizadas por
residentes supervisionados, em pacientes submetidos a cirurgia cardíaca no
Maritime Heart Center, Halifax, Canada. Os dados foram coletados
prospectivamente em pacientes submetidos a cirurgia de revascularização do
miocárdio, cirurgia de troca valvar aórtica ou combinadas; realizadas pelos
residentes supervisionados e comparados com os realizados pelos cirurgiões da
instituição. Os casos operados pelos residentes foram significativamente mais
propensos a ter características de alto risco, como função ventricular deprimida,
reoperação e procedimento de urgência ou emergência. O residente como
cirurgião principal não foi independentemente associado com mortalidade intra-hospitalar (P=0,66) ou a outros desfechos. A sobrevida livre de evento dos 2
grupos foi equivalente em 1, 3 e 5 anos. Os casos dos residentes não foram
associados com óbito tardio ou re-hospitalização cardiovascular (P=0,42).
Os autores concluem que os casos realizados por residentes de cirurgia cardíaca
foram mais propensos a ter uma maior complexidade do que os realizados pelos
cirurgiões seniores. No entanto, os desfechos clínicos foram similares em curto e
longo prazo e, portanto, permitir os residentes realizarem cirurgia cardíaca não
está associada a resultados adversos.
Resultados e custos dos dispositivos de assistência ventricular
entre os beneficiários do Medicare.
Hernandez AF et al. Long-term Outcomes and Costs of Ventricular Assist Devices Among
Medicare Beneficiaries. JAMA. 2008;300(20):2398-2406.
Em 2003, o Medicare expandiu a cobertura de dispositivos de assistência
ventricular como terapia de destino ou permanente na insuficiência cardíaca em
fase terminal. Pouco se sabe sobre
os resultados e os custos de longo prazo associados a estes dispositivos.
O objetivo deste estudo foi analisar os efeitos e resultados imediatos e de longo
prazo em beneficiários do Medicare que receberam dispositivos de assistência
ventricular primária isoladamente (n=1.476 pacientes) ou após cirurgia cardíaca
(n=1.467 pacientes), entre fevereiro de 2000 e junho de 2006.
Os pacientes foram acompanhados por pelo menos 6 meses e os fatores
independentemente associados a sobrevida em longo prazo foram identificados.
Os pagamentos do Medicare foram utilizados para calcular os custos e despesas
totais dos pacientes.
A sobrevida em 1 ano foi 51,6% (n=669) no grupo primário e 30,8% (n=424) no
grupo após cirurgia cardíaca. Entre os pacientes com o dispositivo primário, 815
(55,2%) tiveram alta com o dispositivo. Destes, 450 (55,6%) foram readmitidos
dentro de seis meses e 504 (73,2%) estavam vivos em um ano. Dos 493 (33,6%)
pacientes do grupo pós-cirurgia cardíaca que tiveram alta hospitalar com o
dispositivo, 237 (48,3%) foram readmitidos dentro de seis meses e 355 (76,6%)
estavam vivos em um ano. A média em 1 ano de pagamentos do Medicare para
os pacientes internados foram de US$ 178.714 (DP, US$ 142.549) no grupo
dispositivo primário e US$ 111.769 (DP, US$ 95.413) no grupo pós-cirurgia
cardíaca.
Os autores concluem que; entre os beneficiários do Medicare que recebem
dispositivo de assistência ventricular; mortalidade, morbidade e custos continuam
elevados. Melhorar a seleção de pacientes e reduzir
mortalidade perioperatória são críticos para a melhoria global dos resultados.
Efeitos da cirurgia da fibrilação atrial associada à doença da valva
mitral.
Fukunaga S et al. Effect of Surgery for Atrial Fibrillation Associated With Mitral Valve
Disease. Ann Thorac Surg 2008;86:1212-1217
O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da cirurgia da fibrilação atrial (FA)
associada à doença da valva mitral. Entre setembro de 1994 e dezembro de 2006,
244 pacientes submetidos a cirurgia da valva mitral foram incluídos neste estudo.
O procedimento do labirinto ou isolamento da veia pulmonar foram
concomitantemente realizados em 147 pacientes, sendo que os restantes 97
pacientes não foram tratados cirurgicamente para a FA. Os pacientes foram
divididos em três grupos com base em seus ritmos cardíaco na alta hospitalar: o
grupo sinusal (108 pacientes), o grupo em FA (39 pacientes), e o grupo da FA não
tratada (97 pacientes). As características clínicas e resultados tardios de pacientes
foram comparados entre esses grupos. A taxa de mortalidade hospitalar foi de
0,7% e não houve eventos mórbidos maiores. Seguimento foi completado em
95,6% dos pacientes e o acompanhamento médio foi de 6,03 anos. Sobrevida
atuarial não foi significativamente diferente entre os grupos sinusal e FA. Livre de
tromboembolismo em 5 e 10 anos foi de 96,5% no grupo sinusal, 82,4% e 78,1%,
respectivamente, nos grupos em FA e de 93,4% e 89,1%, respectivamente, no
grupo da FA não tratada; com significância estatística entre os 3 grupos (p=0,01).
Na análise multivariada, FA intratável foi o único fator de risco para
tromboembolismo e outras complicações.
Na conclusão, a fibrilação atrial associada com doença da valva mitral deve ser
tratada, porque o restabelecimento do ritmo sinusal conduz a uma menor
incidência de tromboembolismo e complicações tardias relacionadas à válvula.
Procedimentos invasivos em síndrome coronariana aguda sem
elevação de ST não tem benefícios óbvios, devido ao uso
indiscriminado.
Ferreira-González I et al. Patterns of use and effectiveness of early invasive strategy in non–
ST-segment elevation acute coronary syndromes: An assessment by propensity score. Am
Heart J 2008;156:946–953.
Os padrões de uso e os benefícios de uma estratégia invasiva precoce (EIP) em
pacientes com síndrome coronariana aguda sem elevação do segmento ST em
população da vida real não estão bem estabelecidos.
Neste estudo todos os pacientes hospitalizados devido a síndrome coronariana
aguda sem elevação do segmento ST entre novembro de 2004 e junho de 2005
em 32 hospitais selecionados aleatoriamente foram prospectivamente incluídos.
Os pacientes foram estratificados em dois grupos quanto ao seu perfil de risco
basal usando o escore GRACE. Mortalidade intra-hospitalar e mortalidade ou
readmissão hospitalar por síndromes coronarianas agudas em 1 e 6 meses foram
analisados.
Dos 2.856 pacientes analisados, 1.616 (56%) tinha risco baixo/moderado (GRACE < 140) e 1.240 tinham alto risco (GRACE > 140). Pacientes submetidos a EIP
apresentaram menor risco do que aqueles que não o fizeram (escore GRACE
128,2±41 vs 138,5±43, P <0,001). Pacientes submetidos a EIP apresentaram menor taxa de desfechos aos 6 meses, tanto no conjunto da população (9% vs
14%, P=0,003) como pacientes de alto risco pacientes (16,5% vs 23,6%, P=0,04).
No entanto, este benefício do EIP não foi aparente após ajuste estatístico, na
população (P=0,17) ou em pacientes de alto risco (P=0,16).
Os autores concluem que numa população da vida real, a EIP foi realizada
principalmente em pacientes de baixo/moderado risco. Não foi encontrado
benefício obvio desta estratégia.
Metanálise demonstra evidência de significativo benefício clínico
do uso de corticosteróides em pacientes submetidos a circulação
extracorpórea.
Whitlock RP, Chan S, Devereaux PJ, Sun J, Rubens FD, Thorlund K, Teoh KH. Clinical
benefit of steroid use in patients undergoing cardiopulmonary bypass: a meta-analysis of
randomized trials. Eur Heart J 2008; 29:2592–2600.
Esta metanálise procurou determinar a eficácia e segurança da profilaxia com
corticosteróides em pacientes adultos submetidos à circulação extracorpórea
(CEC). Foi realizada uma meta-análise de ensaios randomizados reportando o
efeito profilático de corticosteróides em desfechos clínicos após a CEC. Desfechos
analisados foram mortalidade, infarto do miocárdio, eventos neurológicos,
ocorrência de fibrilação atrial, necessidades transfusionais, sangramento pós-operatório,
duração da ventilação, duração da estadia na unidade de terapia
intensiva (UTI), permanência hospitalar, complicações gastrointestinais e
infecciosas. Foram incluídos 44 estudos randomizando com 3.205 pacientes.
Corticosteróides reduziram o aparecimento da fibrilação atrial, sangramento pósoperatório
e duração da permanência na UTI. Tempo de internação hospitalar
também foi reduzido, mas este resultado foi menos robusto. Foi observado
tendência de redução na mortalidade. Não houve diferença em relação a
complicações infecciosas. Portanto, ensaios randomizados sugerem que o uso de
corticosteróides têm benefícios clínicos significativos em pacientes submetidos a
CEC, diminuindo o risco de fibrilação atrial, ao passo que os resultados são
encorajadores para reduzir sangramento, tempo de internação e mortalidade.
Estes dados não suscitam preocupações quanto à segurança do uso dos
corticosteróides, no entanto, um estudo de poder estatístico adequado se justifica
para confirmar ou refutar estas conclusões.
A terapia com exercícios físicos é equivalente e menos custosa
do que intervenção, em casos de claudicação intermitente.
Spronk S, Bosch JL, den Hoed PT, et al. Cost-effectiveness of endovascular
revascularization compared to supervised hospital-based exercise training in patients with
intermittent claudication: A randomized controlled trial. J Vasc Surg 2008;Epub ahead of
print.
Atualmente, o melhor tratamento para a claudicação intermitente continua incerto.
Portanto, o objetivo deste ensaio controlado randomizado foi comparar a relação
custo-efetividade da revascularização endovascular vs exercícios supervisionados,
em pacientes com claudicação intermitente durante um período de 12 meses.
Pacientes com sintomas de claudicação intermitente devido a oclusão arterial
ilíaca ou femoro-poplíteo que preencheram os critérios de inclusão foram
recrutados. Os participantes foram aleatoriamente alocados para revascularização
endovascular (76 pacientes) ou exercício supervisionado (75 pacientes). Foram
avaliados qualidade de vida e capacidade funcional ao longo de um período de 12
meses, custo acumulado em 12 meses e custos incrementais de vida-ano
ajustada por qualidade de vida (QALY).
Nos resultados, não houve diferença significativa na qualidade de vida entre os
grupos de tratamento. O ganho médio total em QALYs acumulados durante 12
meses não foi estatisticamente diferente entre os grupos (P=0,73). O total
acumulado dos custos médios por paciente foram significativamente maiores no
grupo de revascularização (diferença média em euro = 2.318; P <0,0001) e o
acréscimo de custo por QALY foi de 23.1800 euros / QALY ajustado para as
variáveis basais. Os autores concluem que não houve diferença significativa na
eficácia entre revascularização endovascular comparado ao exercício
supervisionado durante 12 meses de seguimento, e revascularização
endovascular custou mais do que o limite aceitável, o que favorece o exercício.
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