O que você acha da necessidade do pré-requisito de
Cirurgia Geral para Cirurgia Cardíaca?


O nosso Fórum de discussões relacionado ao pré-requisito de cirurgia geral para acesso a cirurgia cardiovascular teve até o momento a participação de 46 residentes cadastrados na ABRECCV. Os resultados parciais são os seguintes:

-70.6% são a favor de manter o pré-requisito.
-23.5% são contra a cirurgia geral.
-5.9% são a favor de um sistema intermediário com acesso direto porém com 1 ano de cirurgia geral convencional obrigatório.


   
 
 
 

Nome: Anderson Dietrich

Caros Colegas Residentes e Estagiários

Venho através destas palavras tentar transmitir a minha opinião pessoal sobre este importante tema, idéias estas compartilhadas por vários colegas que já contribuíram neste Fórum. Acredito plenamente nos benefícios obtidos pelo pré-requisito em Cirurgia Geral, mesmo por que antes cursar Cirurgia Geral iniciei minha formação em Cirurgia Cardiovascular em um ótimo Centro de Treinamento credenciado pela SBCCV, ou seja fiz o caminho inverso, comecei na CCV e retornei para Geral.
É de conhecimento de todos ou pelo menos deveria ser, que para se ter o direito de divulgar uma especialidade médica (credenciamento no CRM com RQE-registro de qualificação de especialidade)  existem dois caminhos possíveis, o primeiro através de residência médica, nome atribuído exclusivamente a pós-graduandos de serviços credenciados pelo Ministério da Educação (MEC), e o segundo através de prova de título de especialista conferido por Sociedade específica, em nosso caso a SBCCV – Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular. Para os serviços credenciados pelo MEC o credenciamento no CRM é automático, porém  o pré-requisito é obrigatório; nos estágios da SBCCV (Centros de Treinamento) existe a dependência de realização e aprovação no Título de Especialista (comprovação de 100 cirurgias, aprovação na prova teórica, tendo-se o direito de realizar esta prova somente 3 vezes, sendo o índice de aprovação na mesma em 2008 de somente 50%).   Esta questão legal sem dúvidas pesou na minha decisão de cursar o pré-requisito, porém a surpresa foi bastante agradável, pois este período foi muito enriquecedor em termos práticos e de vivência em cirurgia, traduzidos através de: habilidades cirúrgicas adquiridas, convivência com rotinas de especialidades cirúrgicas diversas, a experiência com pacientes politraumatizados com necessidades de tratamento cirúrgico múltiplo, maturidade de decisões e posicionamentos, dentre outras muitas.  A cirugia geral como pré-requisito para cirurgia cardiovascular é uma realidade em todo o resto do mundo.  Não afirmo que produto final Cirurgia Geral + Cirurgia CCV seja melhor ou pior que a formação direta em CCV, somente afirmo que seja mais segura em termos legais (direito adquirido e intransponível de obter o RQE, bolsa de estudos pelo período de 4 anos, três refeições diárias e moradia), ampla em termos de formação técnica , completa no sentido do desenvolvimento de aprendizado escalonado e de possibilidades profissionais mais abrangentes.
Acredito sim, que o nosso grande e focal problema seja a falta de oportunidades práticas de treinamento e o nosso mercado de trabalho deturpado pela exploração de nosso trabalho pouco qualificado; ou seja saímos não habilitados para exercer a especialidade plenamente e vendemos pobremente nosso trabalho em troca de treinamento complementar.  A proposta da SBCCV contempla sem dúvidas uma formação mais dirigida em CCV, mas este defeito de nossa formação vai continuar nos perseguindo, com ou sem o pré-requisito; estamos atacando o alvo errado. Um abraço a todos.

Anderson Dietrich
Presidente ABRECCV


Nome: Fernando Figueira

Colegas,

Meu nome é Fernando Figueira, médico formado em 2005 pela Universidade Federal de Pernambuco, fiz residência médica em cirurgia geral no Hospital da Restauração – Recife (2006-2007) e hoje sou residente de cirurgia cardiovascular pelo Instituto do Coração de Pernambuco, também em Recife. Atualmente membro da diretoria da ABRECCV, representante da regional Norte/Nordeste.
O assunto em questão acerca do pré-requisito em cirurgia geral para cirurgia cardiovascular é um tema rico com forte argumentos contra e a favor, motivo esse que o leva constantemente a discussões e reavaliações pelo Conselho Nacional de Residência Médica.
Particularmente, penso que a formação do cirurgião cardiovascular deva passar obrigatoriamente pelos dois anos de cirurgia geral, pois a identificação de habilidades práticas, situações de estresse e o próprio amadurecimento no binômio médico-cirurgião acontece nesses dois anos iniciais de formado, sem os quais, o recém-formado, com interesse prévio ou não em CCV, seria literalmente “jogado aos leões”, ao se deparar com uma especialidade que exige tanta destreza prática, quanto necessidade de raciocínio clínico-cirúrgico rápido.
Sem contar que, durante os longos 4 anos de formação de cirurgia cardiovascular, o pretenso cirurgião cardíaco já carrega um título de cirurgião geral, onde, na ausência de oportunidade profissional com remuneração financeira em medicina intensiva e/ou pós-operatório de cirurgia cardíaca, encontraria uma janela onde poderia atuar como cirurgião geral, agregando valores práticos e experiências que poderiam ser levados a sua formação de cirurgião cardiovascular.
Embora tenha decidido fazer cirurgia desde o 2º ano de faculdade, amadurecido a escolha por cirurgia cardiovascular desde o 4º ano do curso médico, fiz uma boa residência de cirurgia geral, me dedicando integralmente e aproveitando todo o treinamento de campo e de “vida” que a minha 1ª residência me ofereceu, sem que tenha me sentido menos competente quando adentrei na residência de cirurgia cardiovascular, apenas buscando o respeito que, assim como tive 6 anos para ser médico, 2 anos para concluir a residência de cirurgia geral, terei 4 anos em cirurgia cardiovascular – cada qual no seu tempo, sem pular etapas.
Hoje não trabalho como cirurgião geral – por opção e oportunidade – já que preencho minha carga horária com plantões em UTI e pós-operatório de cirurgia cardíaca, assim como 99% de todos nós.
Quanto ao tempo em excesso de formação, gostaria de trazer alguns exemplos de outras especialidades:
Hemodinamicista (Clínica médica 2 anos + Cardiologia + 2 anos + Hemodinâmica 1 ou 2 anos = total 5 a 6 anos)
Neurocirurgião ( segundo nova regulamentação passará de 4 para 5 anos)
Urologista ( 2 anos de cirurgia geral + 3 anos de urologia + 1 ou 2 anos de videourologia = 6 a 7 anos)
Endovascular ( 2 anos de cirurgia geral + 2 anos de cirurgia vascular + 1 ou 2 anos de treinamento endovascular = 5 a 6 anos)
Cirurgião gastroenterologista (2 anos de cirurgia geral + 2 anos de cirurgia abdominal + 1 ou 2 anos de treinamento com vídeo = 5 a 6 anos)
E outros tantos infinitos exemplos. O importante ressaltar é que todos sem exceção, a partir do momento que obtém o primeiro titulo de residência se colocam no mercado de trabalho numa posição privilegiada em relação a outro colega sem residência, e, como vocês podem perceber atingem o ápice da especialização teórica num período igual ou próximo ao nosso.

Espero que tenha trazido argumentos fortes o suficiente para justificar a necessidade do pré-requisito de cirurgia geral na formação do cirurgião cardiovascular,

Um forte abraço,


Nome: Isaac Newton Guimarães

Prezado Dr. Anderson e demais colegas  residentes.

Aproveito o espaço para participar desta importante discussão e convoco a todos para participar.

Defendo a ideia de que os dois anos de pré- requisito de formação em cirurgia geral é de  grande importância para a formação não só de cirurgiões cardíacos como para qualquer especialidade cirúrgica. o trato comdiversas situações vividas na residencia de cirurgia geral, o lidar com diversas patologias, os princípios cirúrgicos gerais  , o trato com pacientes graves nas salas de trauma dentre e outros aspectos são importantes na formação cirúrgica , tecnica mas sobretudo na formação humana , no amadurecimento , no ganho de esperiência de vida. um residente de subespecialidade qualquer que seja  ela  tem outra visão das coisas, nas tomadas de decisão no conviber com pacientes seja ele qual for.
Vivemos uma era de banalização da formação médica ; escolas são abertas a todo momento e cada vez mais profissionais sem qualificação adequada entram no mercado. devemos lutar para que a formação seja a mais ampla possivel.
Não nos esqueçamos que a  nossa formação  é apenas 1 ano maior que neurocirurgia por exemplo , que cirurgia plastica por exemplo que cirurgia digestiva , pediátrica , urologia,cabeça e pescoço.
O desinteresse pela especialidade se dá não pela duração  da formação, mas pelo mercado de trabalho que é ruim, pela remuneração, pela tempo consumido em cada cirurgia, pela dedicação nescessaria À especialidade,pelo avanço dos procedimentoas endovasculares . 
Iniciei minha formação ainda como estudante acompanhando cirurgias , entrei em uma especialização com acesso direto e me vi completamente imaturo para exercer a especialidade, além de motivos burocráticos tais como impossibilidade de credenciamento ao SUS, etc.
Optei por fazer cirurgia geral e seguir a formação completa. Não me arrependi, estou no último ano e ao olhar para trás vi que tudo foi extremamente importante.

Segunda Opinião:

Caros colegas de especialidade, venho acompanhando o forum e já com receio temo por estar se criando uma guerra entre residentes e especializandos.
O verdadeiro foco da discussão é a melhora da formação do cirurgião cardiovascular no pais. quem já terminou a formação ou estar terminando, como eu, sabe que principal determinante de desinteresse pela especialidade não é o tempo de formação ,tendo-se em vista que é apenas 1 ano mais longo que a maioria. O principal determinante é o modo como a formação é feita. Não se tem oportuniades cirurgicas. um residente de qualquer outra especialidade cirurgica termina a residencia apto a operar qualquer patologia dentro da sua especialidade. No nosso caso, na maioria dos lugares não. tempo longo de formação é nescessário em qualquer especialidade médica, clínica ou cirurgica.
A formação deve ser ampla e completa. Na minha opinião a cirurgia geral é absolutamente nescessária,, e devemos lutar para que a formação mude dentro da especialidade, tendo o residente maior oportunidade cirurgica.

Grato

Isaac Guimaraes
representante da ABRECCV na SBCCV

 


Nome: Sérgio Santos

Pré-requesito em Cirurgia Geral? CCV

Acompanhei CCV desde o 3º ano da faculdade e me deparava com esta questão desde então. Tendo um período de 4 anos pela frente, optei por um centro de "acesso direto" embora houvesse em mim a dúvida de como isso poderia me afetar em questões burocráticas (credenciamento pelo SUS, validade da formação, etc). Hoje estou no meio do 2º ano. O acesso com pré-requesito tornaria ainda mais penosa a minha vida. Nossa especialidade deve ser a que mais dificulta a estabilização profissional do recém formado, que durante o treinamento esbarra em mil justificativas para o fato de não sair "com mão"; então para que adiar isso ainda mais? Do ponto de vista técnico, para mim não há necessidade do pré-requesito, bem como para todos os chefes com quem já tive contato, trabalhei ou trabalho (e que fizeram Geral). A unificação seria uma grande conquista e, sem dúvida, o acesso direto com "status de oficial - MEC" atrairia muitos estudantes recém formados que tanto admiram nossa especialidade, porém temem a longa e dura formação. Isso nos daria muita força para buscar mais independência (como qualquer especialista deveria) em diversos aspectos incluindo os honorários.
É o trabalho pela DESMISTIFICAÇÃO da cirurgia cardíaca. Se cada um der uma palavrinha ou gesto de contribuição, pode ser que dê certo.


Nome: VAGNER DE CAMPOS SILVA

Sou a favor do pré-requisito! Não pelo aprendizado de cirurgia cardíaca em si mas para introduzir o residente na disciplina cirurgia e familiariza-lo com as rotinas e a responsabilidade de uma cirurgia. Acho ainda que acabar com o pré-requisito contribui para banalizar ainda mais uma especialidade que já passa por várias dificuldades de remuneração! Se acabarem o o pré-requisito apareceram vários residentes que entrarão na especialidade unicamente pelo fato do ingresso direto. Aparecerão vários residentes sem interesse pela especialidade e interessados na facilidade de se entrar em uma disciplina que não exige pré-requisito. Portanto reintero a minha opinião a favor do pré-requisito em cirurgia geral e contra a banalização da cirurgia cardíaca! Grato


Nome: Wilson Botelho Filho

Atualmente, nenhum curso de Medicina forma profissionais aptos a ingressar diretamente no mercado de trabalho ou numa especialidade tão peculiar como a Cirurgia Cardiovascular. Os acadêmicos recém-formados não possuem maturidade técnica ou científica suficientes para assumirem as responsabilidades que a prática médica exige.  E na Cirurgia Cardiovascular, a história não é diferente.
O pré-requisito em Cirurgia Geral é muito importante para nossa formação, pois, constitui um período de “transição” entre a vida acadêmica e a prática cirúrgica, na qual o indivíduo assume responsabilidades reais. O residente é introduzido no ambiente cirúrgico com responsabilidades “de médico”, não mais como acadêmico. Ele é o responsável pelo preparo pré-operatório dos pacientes, pelo ato cirúrgico ao qual estiver apto a realizar, pela assistência em enfermarias e ambulatórios, prática em emergências e assistência pós-operatória em UTI ou enfermaria. Além disso, se familiariza com os princípios básicos do ato cirúrgico em si, treina suas habilidades manuais e aprende a auxiliar outros cirurgiões. Se isso não é importante para a formação de um médico-cirurgião, seja qual for sua especialidade, não sei mais o que possa sê-lo.
 Nem os quatros anos de residência em Cirurgia Cardiovascular são suficientes para formar um profissional plenamente apto a exercer nossa especialidade. A pouca experiência prática da grande maioria dos residentes em seus serviços de origem, aliada a enorme quantidade de conhecimentos técnicos e científicos adquiridos nas últimas décadas, contribuem para esse “déficit” na formação.  Se juntarmos a isso, os conhecimentos básicos da prática cirúrgica (já enumerados anteriormente) que deveriam estar apreendidos, poderemos vislumbrar como será inadequada a formação dos novos residentes de Cirurgia Cardiovascular sem o pré-requisito em Cirurgia Geral.

A solução não é eliminar o pré-requisito cirúrgico, mas sim adequá-lo a nossa realidade. Uma sugestão, por exemplo, seria que a residência em Cirurgia Cardiovascular tivesse duração de cinco anos, com acesso direto, na qual o primeiro ano fosse totalmente voltado para a prática cirúrgica e introdução a Cardiologia. Afinal de contas, somos Médicos Cirurgiões Cardiovasculares e não apenas “operadores de coração”.


Nome: José Verissimo


Acho q a melhor opcao seria 5 anos de residencia em cir cardiaca com acesso direto, sendo que no primeiro ano seria de rodrizio em cirurgia geral com o intuito de fazer com que o residente adquira capacitacao para realizar procedimentos cirurgicos basicos e para lhe dar uma base teorico-pratica nesse sentido. Como a neurocirurgia, a cir cardiaca é uma especializacao que tem pessoas muito bem decididas sobre sua escolha profissional/vocacional.


Nome: Matheus Ferber

Acho desnecessário a cirurgia geral como pré requisito, devemos continuar com os 4 anos de CCV, tempo suficiente para o aprendizado, haja visto o grande número de cirurgiões com essa formação em plena atividade no país. A formação se completa ao longo da vida profissional e a estabilidade é atingida em média após 10 anos de atividade; prolongar essa formação diminuiria cada vez mais a procura pela especialidade.


Nome: José Vitorino de Sales Junior

Atualmente estou fazendo a especializacao no Hospital das Clinicas de curitiba. Nao fiz cirurgia geral, porem tenho grande experiencia em cirurgia, pois trabalhei muito tempo como cirurgiao em um hospital de pequeno porte no interior do Parana. Confesso que esta experiencia me ajuda um pouco, mas naqueles procedimentos mais simples. Durante as cirurgias cardiacas de grande porte, vejo que a cirurgia geral tem muitas diferenças. A peculiaridade dos tempos cirurgicos, as tecnicas são totalmente diferentes. O treinamento em cirurgia cardiaca exclusivamente deve ser realizado independente da cirurgia geral. Portanto concordo que o pré-requisito não deve existir.
Abraços a todos.


Nome: Alex Luiz Celullare

Acho que cirurgia geral é IMPRESCINDÍVEL e deve CONTINUAR OBRIGATÓRIA para a formação do cirurgião cardiovascular. O aprendizado é longo, mas necessário. Quando o cirurgião geral chega no R3 de cirurgia cardíaca sente dificuldade em se adaptar com a delicadeza e precisão da cirurgia cardíaca; sem nenhuma experiência em cirurgia geral torna-se este aprendizado muito mais árduo e que faz com que o residente demande um tempo muito maior para estar apto a retirar um enxerto de qualidade. Além disto, somente seria mais um motivo para postergar as oportunidades dos residentes de operar, pois se com alguma experiência somos podados do ponto de vista cirúrgico e deixados de lado até o sexto ano ou meados deste, sem pré requisito seríamos simplesmete esquecidos por toda a residência. Além disto não podemos nos esquecer da FORMAÇÃO, o residente de cirurgia geral chega ao serviço de cirurgia cardiovascular com uma noção geral de cirurgia e de terapia intensiva, obrigatória nos programas de residência médica. Acho que estamos deixando de lado a qualidade da residência e apenas querendo colocar mais cirurgiões no mercado. Precisamos nos lembrar que precisamos que os residentes OPEREM mais, assim haveria um interesse maior na cirurgia cardiovascular e não facilitar a entrada e diminuir o tempo de residência. O desinteresse pela cirurgia cardiovascular vem da humilhação que sofremos, sobrecarga de trabalho, sem que haja uma compensação em termos de cirurgia, além da PÉSSIMA REMUNERAÇÃO a que somos submetidos quando terminamos a residência, o que faz com que a cirurgia cardiovascular seja, para muitos o caminho mais longo para trabalhar em terapia intensiva. A cirurgia geral é necessária sim. Nós deveríamos estar "BRIGANDO" pela melhoria da residência, e não pela diminuição do tempo de residência.


Nome: Miguelangelo Crestani Junior

SOU CONTRA RETIRAR O PRÉ-REQUISITO


Nome: Daniel de Conti

Totalmente necessário, um recém formado não ´possui as noções básicas de técnica operatória, não há como ele ingressar num


a especialidade de alta complexidade sem ter noções básicas de cirurgia, tecnicamente totalmente despraparados.

Nome: Osanan Amorim Leite Filho

Caros colegas,
sou contra a retirada dos dois anos anos de cirurgia geral como pré-requisito para o programa de residência em cirurgia cardiovascular. Fundamento minha opinião no fato conhecido de que o residente de cirurgia cardiovascular em geral tem oportunidades cirurgicas aquém do ideal. No momento em que chegar mais novos residentes com menos e menos conhecimento técnico em cirurgia geral, dificultará mais ainda o acesso dos residentes de cirurgia cardiovascular às oportunidades cirúrgicas.
Grato


Nome: André Micheletto Laurino

Sou a favor da cirurgia geral como pré requisito para cirurgia cardiovascular.


Nome: Renê Augusto

Caros colegas;
Apesar de já formado e membro aspirante de nossa estimada sociedade; venho aqui colocar meu ponto de vista sobre o assunto.
Entendo o grande valor de uma formação básica, antes do ingresso em um especialidade tão complexa como a nossa; porém penso, que exiger-se que a tenha como pré-requisito, desnecessário. Logicamente, trata-se de grande segurança, ao ingressar no campo de trabalho, principalmente tendo em vista acirrada disputa, por abreviado campo. Mas é justo, obrigar um profissional formado a se submeter a um curso de 2 anos, para que este tenha o direito de realizar suas aspirações? No meu caso, formei-me cirurgião cardiovascular em serviço particular, onde não há tal exigência.
Jamais faria cirurgia geral, por realmente não gostar da área e não ter a menor afinidade. Por isto escolhi um serviço repeitado, que me com louvor meformou. Sinto-me muito satisfeito com o resultado final de minha residência, afirmando aos senhores convicto, de que estou apto ao que me propus!
Fazer cirúrgia geral e eventualmente ter esta segurança profissional, é uma escolha pessoal! Acredito não ser justo, que se force alguém a adicionar 2 anos a uma formação bastante longa e exaustiva, em diversos aspectos; se o resultado final, o mesmo será!
Gratos a todos, pela oportunidade e aberto a idéias e saudáveis discussões; Sinceramente;

Renê Augusto, CCV-Ped. - InCor/SP.


Nome: Lisandro Gonçalves Azeredo

Caros colegas,
Pelas discussões que acompanho pelo Fórum e pelas opiniões colhidas noto que, sem exceções, residentes são a favor de dois anos como pré-requisito e estagiários são favoráveis a acesso direto.
Como residente do InCOR FM-USP sigo a regra acima e concordo que seja mantida a exigência da cirurgia geral para o ingreeso na especialidade.
Fundamento em poucas opiniões e fatos a minha posição:
1- Fiz minha residência de cirugia geral no HC-FMUSP e, apesar de todos os problemas enfrentados pela residência no HC, concluí a mesma com a sensação de ter adquirido muito mais conhecimento, prática médica, relacionamento médico-paciente e capacidade resolutiva que foi possível aprender em 6 anos de faculdade. Creio não existir um só colega com o pré-requisito que discorde de que era melhor preparado quando cirurgião geral que como Médico Generalista. Portanto hoje sou mais capaz de aproveitar as raras oportunidades cirúrgicas que há dois anos.
2- Há que se diferenciar o pré-requisito da prova de residência em duas etapas. Há pouco tempo (até 1998, muitos de nós já na faculdade) a residência médica era feita de uma prova "acesso direto" na qual aprovado, o candidato cursaria um/dois anos de área basica com os anos seguintes de área específica, sem necessidade de outra prova. Hoje, alguns exemplos não dão credibilidade ao acesso direto com um ano da área básica, isto é: o residente de ginecologia/obstetrícia em rodízio na cirurgia geral não passa de um "café-com-leite" ao qual responsabilidades não podem ser delegadas e oportunidades cirúrgicas são mínimas. Assim também em outras áreas, como a Fisiatria em seu ano inicial na clínica médica, ou com a neurocirurgia na neurologia clínica. Não digo de maneira alguma que essas especialidades são mal formadas, porém a formação de cirurgia, clinica médica ou neurologia respectivamente, são pobres. Seria uma pena nos ver nesse situação.
3- Nosso poder político como grupo ou como indivíduo seria enormemente diminuído sem o título de cirurgião geral. Cito como exemplo a equipe de estagiários do Paraná que, de um dia para outro perderam a bolsa e, sem ter a quem recorrer ou mesmo sem oportunidade de emprego especializado, submeteram-se. Certamente um dirá que poderíamos ainda trabalhar como intensivistas devido à experiência em pós operatório. Isso não é inteiramente verdadeiro porque poucos de nós terão a oportunidade de tirar o título de especialista em terapia intensiva, devido ao maior rigor nos pré-requisitos para a realização da prova (agora é necessário acompanhar 2 anos em UTI de hospital escola!!!). Assim sendo, a quem não se submetesse a trabalho escravo por 5 anos e à vontade inescrupulosa de seu chefe, restaria o PSF. Nada mais, sem cirurgia geral, sem terapia intensiva e sem cirurgia cardiovascular. Com o bom e velho: Médico Generalista.
4- Apesar do esposto creio que bons e maus profissionais existem em qualquer lugar e com qualquer formação. Muitos dos grandes nomes brasileiros na cirurgia cardíaca não são cirurgiões gerais, e nem por isso piores.
Concluindo, a ponderação que devemos ter é que, com um mercado de trabalho ruim e baixas remunerações, a renda pessoal deve ser complementada por alguma atividade que não a cirurgia cardiovascular. Terapia intensiva é hoje um bom campo, porém a tendência é de crescimento da especialidade e em breve não teremos mais esse espaço, perdido para os intensivistas de formação. Para quem é cirurgião geral, sempre haverá um local que necessite de atendimento a trauma, colecistectomias, herniorrafias e plastias...
Um grande abraço a todos

Lisandro.


Nome: Marcos Gradim Tiveron

Caros Colegas,
A residência em cirurgia geral é um passo importante e necessário para um cirurgião em formação. Não só por fornecer maiores habilidades técnicas (que incluem o pré, o intra e o pós-operatório), mas também por ser uma "ponte" entre a graduação e a subespecialização (p.e. CCV) levando a uma maior maturidade na prática médica e na hora da escolha da carreira de nossas vida. Não devemos deixar que a cirurgia geral deixe de ser pré-requisito da formação em CCV, pois como o próprio nome diz, requisito é uma condição exigida para a consecução de um certo fim, uma exigência legal e necessária. A impressão que fica é de que quem não fez cirurgia geral necessita de uma legalização do MEC e da CNRM para este "pulo" na formação, pois há maior valorização do residente que fez cirurgia geral.
Talvez alguns cirurgiões coordenadores de centros de formação preferem não exigir a cirurgia geral para conseguir o maior número de médicos recém-formados para uma mão de obra barata que não tem uma fiscalização adequada e muitas vezes são explorados com uma super carga horária que qualquer área cirúrgica exige e com pouca ou nenhuma remuneração. Devemos encarar isto com seriedade pois é um dos assuntos que irão definir o futuro da nossa especialidade.
Obrigado.


Nome: Marcelo Pandolfo

Colegas, venho de uma instituição onde a maioria dos meus preceptores não fizeram cirurgia geral e não acredito que isso os levou a uma pior graduação pelo contrário. Numa especialidade, onde todos sabemos, demora para se ingressar no mercado de trabalho e que cada vez mais há uma procura menor por ela, acredito que o tempo de dois anos de cirurgia geral poderia ser melhor aproveitado para especializações dentro de nossa própria área.


Nome: José M. Medeiros Jr.

Caros colegas:

Desde já agradeço ao amigo e presidente da SBCCV, Dr. Anderson, pela preciosa oportunidade de discutir abertamente, mesmo que à distância, este assunto tão importante e delicado. Obrigado.
Meu nome é José Medeiros, sou formado em 2003, fiz residência em cirurgia geral em um hospital regional de Santa Catarina (Hospital Regional de Rio do Sul). Atualmente representante da Regional Sul da ABRECCV.
Antes de ingressar na cirurgia geral, porém, fiquei um ano em 'estágio' em um serviço reconhecido pela SBCCV, sendo que fui obrigado a sair, como outros colegas, para prestar prova para cirurgia geral, perdendo um ano da minha vida (ao menos foi o que pensei na época).
Tive uma surpresa impressionante quando percebi que toda a experiência que eu acreditava que havia adquirido, não era nada comparada ao nível que alcancei após os dois anos de aprendizado intensivo em cirurgia geral.
Agora, no segundo ano de cirurgia cardiovascular, olhando para alguns colegas doutorandos, e lembrando de como saí da universidade, percebo o quanto é enriquecedor, tanto para a maturidade intelectual, quanto para a destreza cirúrgica, o período de treinamento em cirurgia geral.
Não há como aprender, evoluir tanto, em tão pouco tempo, sem uma residência básica como a cirurgia geral, mesmo para ingressar em uma especialidade tão específica quanto a cirurgia cardiovascular.
Além disso, acredito ser razoável que o recém formado tenha mais tempo para pensar antes de ingressar em uma especialidade tão difícil quanto a nossa, em todos os sentidos, e possa conhecer outras possibilidades, para então decidir dedicar sua vida a esta especialidade.
Por fim, concordo com o colega Fernando, representante da região Norte/Nordeste, a residência de cirurgia geral agrega muito valor ao residente de CCV. Quem já esteve dos dois lados sabe o que isso representa.


Nome: Jairo Leal

Nosso serviço na Santa Casa de Curitiba tem residentes com Cirurgia Geral e especializandos sem cirurgia geral, analizando imparcialmente, não há diferenças importantes, são outros fatores que irão definir o perfil e a qualidade do fururo cirurgião cardíaco.


Nome: Isaac Azevedo Silva

Os defensores da retirada da Cirurgia Geral como pré-requisito da Cirurgia Cardiovascular argumentam que o longo tempo de formação tem tornado a especialidade pouco atrativa. Mas, será?

O que dizer da escassez de oportunidades para o residente?

E da remuneração aviltante no mercado?

Nossa especialidade tem sido pouco procurada porque não há, ao longo de 4 árduos anos, a oportunidade para o residente, diferente de outras especialidades de tempo muito mais curto.

Além disso, por culpa dos próprios cirurgiões cardiovasculares, temos uma tabela de honorários ridícula e uns poucos 'Senhores Feudais' que monopolisam o mercado e exploram os demais.

Contudo, é mais fácil culpar o tempo de formação pelo fiasco em que se tornou nossa especialidade. Afinal, não será preciso repensar o programa, rever as relações de trabalho nem considerar o fim dos cartéis. Não é?

Esta é a famosa solução pelo caminho mais curto.

Outro fator a ser lembrado é que nenhuma outra especialidade abre mão da Cirurgia Geral como pré-requisito por entender que o egresso da faculdade não tem a vivência médico-cirúrgica do R2 da Geral, importante para que ele tenha uma visão ampla do paciente, e não venha a se tornar um especialista restrito.

É muito interessante ver os colegas que não fizeram Cirurgia Geral afirmando que a mesma é desnecessária. Afinal, como podem eles julgar algo de não têm a menor noção?

Se queremos uma especialidade atrativa precisamos encarar a realidade, mudar o que realmente precisa mudar e não prejudicar ainda mais a formação do residente.

É imprescindível a formação em Cirurgia Geral.


Nome: Thales Cantelle Baggio

Sou completamente contra o pré-requisito para cirurgia cardíaca.
Concordo com o fato de que toda experiência prévia é bem vinda, mas quem realmente tem interesse pela cirurgia cardiovascular não decide isso de um dia para o outro, e desde a formação acadêmica procura praticar e acompanhar serviços de cirurgia.
Basta comparar a habilidade de residentes que fizeram cirurgia geral e especializandos. Pode até haver alguma diferença no primeiro ano, que desaparece após o segundo ano de formação, pois a cirurgia geral está fundamentalmente baseada em cirurgia torácica e sobretudo digestiva, sendo o mediastino um território desconhecido para boa parte dos cirurgiões gerais.
Ainda, sem a necessidade de pré-requisito, haveria uma procura muito maior pela residência/especialização em cirurgia cardiovascular, com melhora dos níveis de profissionais formados.
Assim sendo, entendo que 4 anos de residência são mais do que suficientes para a formação adequada de um cirurgião cardiovascular.


Nome: Cleber Glória Silva

Sou residente em Campos dos Goytacazes, em centro de trianamento da SBCCV, não fiz o pre-requisito em cirurgia geral, e acho que o tempo de 2 anos adotados para a cirurgia geral poderiam ser diretamente aproveitados na formaçõa em cirugia cardiovascular, principalmente com o volume de novas atividades relativa a nossa especialidade (endoprótese, marca-passo etc).


Nome: Omar Asdrubal Vilca Mejia

Estimados colegas:

Sou estrangeiro e estou 7 anos no Brasil, a quem devo toda minha formação cirúrgica. O cirurgião cardiovascular com cirurgia geral como pre-requisito é simplesmente outro cirurgião, tanto no fato de formação científica, destrezas e visão cirúrgica. Não existe Programa decente de Cirurgia Cardiovascular no mundo civilizado sem a obrigatoriedade de Cirurgia Geral, so visitar Norteamerica. Esta ameaça esta colocando em risco a seriedade e respeito que o mundo tem da Cirurgia Cardiovascular Brasileira, lugar que conquisto merecidamente. Finalizo com a pergunta para quem realmente conhece a especialidade: se Cirurgia Plástica precisa de dois anos, de quantos anos precisara Cirurgia
Cardiovascular?

Felicidades!!


Nome: Rodrigo M. Tchaick

Sou contra a obrigatoriedade de Cir. Geral para a formação em cirurgia cardíaca. Durante décadas formou-se notórios cirurgiões sem a cir geral, médicos que construiram esta especialidade tão diferenciada da cir geral. Engana-se quem acredita poder intitular-se "cirurgião geral" com apenas dois anos de resdência pois para atuar como tal são necessários cursar os 4 anos da residêcia em geral. A tecnica cirugica em cir. cardiaca é bem diferenciada da geral de forma a contribuir em pouco para o aprimoramento da tecnica. dois anos são mais validos dentro da própria cir cardiaca. Estive em estágio por 3 meses em cir geral aqui em curitiba os quais em pouco pude relacionar com minha atual especialização.


Nome: Diego Gaia

Sou a favor de 6 anos de formação . Acesso direto. Sendo 1, 5 ano na cirurgia geral, 4,5 anos na cardíaca, sendo 6 meses de fellow em outro serviço. Abraço.

Diego Gaia


Nome: Jose Cicero Stocco Guilhen

Sou a favor do pré-requisito de dois anos em cirurgia geral. Acredito que esse período é essencial para o amadurecimento do profissional dentro das áreas cirúrgicas. Não acredito que a diminuiçãoo do tempo de formação para cirurgia cardíaca seja o caminho para melhorar a nossa formação. Acho que seis anos não é um tempo exagerado, mesmo comparado com países da Europa e Estados Unidos. Acredito sim em uma reformulação verdadeira que obrigaria as escolas a oferecerem programas onde cada residente, ou estagiário cumpririam um cronograma de responsabilidades, e cirurgias com maior complexidade ao longo da formação, para que o residente saia do programa com um mínimo de cirurgias realizadas. Acredito que o acesso direto aumentaria a oferta de residentes e em um futuro próximo a oferta de mão de obra pouco especializada, como ocorre hoje com inúmeros programas que oferecem estágios em cirurgia cardíaca que todos nos bem conhecemos.


Nome: Marcio Pimentel Fernandes

Prezados Colegas Residentes e Estagiários,
 
 
Em relação a discussão sobre o " Pré - Requisito " em cirurgia geral para a Residência de Cirurgia Cardiovascular, venho manifestar minha opinião:

Creio que cirurgia geral é necessária para a nossa formação, pois é a opurtunidade que temos de nos familiarizarmos com o material cirurgico, centro cirúrgico, logo que acabamos a faculdade, e uma maneira de apurarmos a técnica cirúrgica, além de dar uma noção muito boa em pós-operatórios e UTI., o que já ajuda bastante para os rescém ingressos na especialidade.
Adentrar a cirurgia cardíaca direto e como querer " correr antes de começar a engatinhar ".
 
Abração a todos.


Nome: Felix Marcelo Gutierrez Mealla

Eu acho, que tem que fazer 2 anos de cirurgia gral considero uma especialidade que tem que saber conhecimentos basicos previamente.


Nome: Edemir Veras de Carvalho Junior

Sou contra a extinção do pré-requisito.


Nome: Rafael Angelo Tineli

Há um forte apelo neste momento na Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular em eliminar o pré-requisito em Cirurgia Geral. mesma tem em seus líderes do passado e do presente um contingente significativo de pioneiros na especialidade que afirmam ter como o foco de sua atenção a formação dos novos residentes e modificações nos rumos de programas na especialidade, para que possamos nos manter no mercado de trabalho em franca transformação.

O conceito de um novo cirurgião cardiovascular deve, obrigatoriamente, incorporar na sua formação, além dos métodos tradicionais de diagnóstico e terapêutica, um conjunto de habilidades intervencionistas que não necessitem de grandes incisões. Contudo, a sobrevivência de uma especialidade vai além da capacidade de seus membros de assimilarem as novas tecnologias e de contribuírem de forma criativa com o seu desenvolvimento. Ela nasce com o treinamento de seus residentes, o que não ocorre em grande parte dos centros de formação. Como podemos pensar em acrescentar metodos diagnósticos e/ou terapêuticos mais modernos ou mais específicos à nossa especialidade se nos, residentes, em sua grande maioria não adquire sequer conhecimentos técnico-cirúrgicos básicos da área em questão. A maioria dos programas não possue um programa de atividades a serem desenvolvidas pelos residentes, ou quando o tem acabam ficando apenas no papel. A busca da melhoria de nossa especilidade não reside no pré-requisito da cirurgia geral, mas no não aproveitamento dos agora quatro anos de treinamento.

Portanto, o foco da nossa atenção na formação dos novos residentes exige modificações nos programas na especialidade, não na eliminação do pré-requisito da cirurgia geral, vivenciado aqui como bode expiatório das mazelas de nossa especialidade. Acredito que se quisermos melhorar ou mesmo manter nosso nível de qualidade devemos melhorar nossos programas de treinamento, o que de fato aliciaria maior número de residentes para a área, o que acredito que nem mesmo a redução do tempo de formação proporcionará.

Obrigado
Rafael Angelo Tineli
Responsável pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial  da ABRECCV


Nome: Lucas Krieger Martins

E um absurdo a exclusao do pre-requisito de cirurgia geral. Aquelas antigas historias que sempre escutamos, de que todo dia era dia de uma "serradinha" no ventriculo, etc.... agora que conseguimos um nivel melhor de residentes, todos com uma boa "noçao do perigo", boa base tanto teorica quanto tecnica, sem falar da responsabilidade.

Respnsável pelo Departamento de Perfusão e Assistência Ventricular da ABRECCV 
Residente do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul.


Nome: André Telis de Vilela Araújo

Ao concluir a graduação, a ansiedade de ter contato intensivo com a especialidade me fez pensar na possibiliadade de estágio. No entanto, a experiencia de colegas, excelentes cirurgiões, que haviam feito especialização e que até hoje encontram problemas para a titulação, desde a entrada em planos de saúde, concursos publicos me fizeram titubear para realizar a escolha. Fiz a opção pela cirurgia geral, de início algo que era visto com impensável foi se tornando uma grata surpresa para minha formação, tive uma identificação com a cirurgia e pude perceber o quanto a formação é rica e proveitosa.

Em alguns debates, já li depoimentos de chefes de serviços que falam que o pretenso residente de CCV acaba sendo convencidos a não ir em frente com a especialidade. Do contrário, pude perceber que todos os pretensos candidatos, após 2 anos de cirurgia geral, sentiram-se mais confiantes para adentrar na nova especialidade.

Quando se fala no critério tempo, é um absurdo atribuir o escasso número de residentes ao tempo de formação, todas as especialidade requerem no mínimo 4 anos.

Mais absurdo ainda é admitir uma especialidade de cirurgia que não exige cirurgia geral. Isso vai de encontro a todos os melhores serviços do mundo que são organizados e que exigem do residente a formação geral. Achar que o recém-graduando está apto a enfrentar as dificuldades da formação de uma especialidade tão refinada é no mínimo incoerente. A despreparação do recém-formado a adentrar na cirurgia cardíaca seria um motivo a mais para perpetuar um vício que é visto na grande maioria dos serviços, chefe opera, residente só auxilia...

Como iríamos atender aos politraumatizados, será que o trauma cardíaca poderia ser visto com algo isolado, num contexto que abrange lesões múltiplas e que conhecimentos básicos de cirurgia são essencias para o tratamento adequado.

Será que ficaríamos eternos dependentes de outra especialidades para realizar procedimentos que necessitem formação geral. Como dissecar gastroepiplóica sem ter formação e competência técnica para realizar laparotomias e disseções de aa. gástricas. Penso que esta forma de atrair mais residentes acabará piorando a formação.

A melhor solução seria elaborar programas que contemplasse a formação adequada, com procedimentos programados para cada ano de residência, mais oportunidade de procedimentos.

Residente da UNIFESP
Responsável pelo Departamento de Cardiopatias Gerais da ABRECCV.


Nome: Raiane Pereira

Sou a favor de manter o pre-requisito de cirurgia geral. Sem querer explicar muito os motivos, ja que ficaria redundante mediante aos argumentos muito bem utilizados pelos colegas acima de mesma opiniao.Nossa especialidade ja tem pouca procura, mas duvido que o motivo seja o tempo de residencia, mas o mercado de trabalho fechado e as raras oportunidades de cirurgia durante a residencia (inclusive foi este o motivo dos que abandonaram a residencia), afinal, nos cirurgioes temos como principal incentivo e prazer a cirurgia...

Qto a experiencia cirurgica, acho q so a tempos realmente, tanto na conduta de pre e pos operatorio, bem como indicacao de cirurgia, condutas na emergencia, na cirurgia geral (lembremos que em muitos servicos, quem faz o ambulatorio, quem faz a indicacao da cirurgia e conduz o pos operatorio (tanto na UTI quanto na enfermaria ) e a clinica medica, medicos intensivistas e principalmente os cardiologistas)...

Tenho certeza de que havera bom senso na decisao dos colegas, ja que uma decisao erronea pode comprometer a imagem e a qualidade do futuro cirurgiao cardiovascular dentro da classe medica.


Nome: RODRIGO LUNELLI DE FREITAS

Eu sou a favor da retirada do pré-requisito de Cirurgia geral para Cirurgia cardíaca.


Nome: Guilherme D'Addazio Marques

Aos colegas:
manifesto minha posiçao contra a obrigatoriedade do pre-requisito em Cir. Geral para a especialidade. Concordo que a experiencia adquirida no curso de cirurgia geral e interessante e valida de modo geral, porem nao deve ser encarada como primordial a formaçao do cirurgiao CCV. Acredito que os conhecimentos tecnicos e cirurgicos basicos podem ser abordados durante a especializaçao propriamente dita, de modo que a formaçao geral nao e imprescindivel para um bom aproveitamento do curso. Mas o que realmente deve ser levado em conta, como ja citado por outros colegas, é o aumento da pratica cirurgica pelos residentes. A eliminaçao do pre-requisito com o aumento do tempo de especializaçao para cinco anos ajudaria - em parte- a corrigir esta deficiencia, assim como o estabelecimento de numero minimo de procedimentos a serem realizados pelos residentes durante sua formaçao.


Nome: Guilherme Coelho

Caros colegas,

Sou a favor do pré-requisito de Cirurgia Geral (ao menos 1 ano), tendo em vista, não os colegas que já iniciaram sua formação, mas sim os que estão em fase de formação nas universidades.
   É verdade que muitos colegas que não tiveram qualquer formação em cirurgia geral, são hoje excelentes cirurgiões cardíacos, contudo, a formação médica até então privilegiava o acadêmico na parte prática, dando conhecimento e habilidade para se exercer a medicina como um todo (não sendo impeditivo exercer qualquer especialidade sem ao menos fazer uma residência).
   Hoje, observa-se em todas as faculdades, que infelizmente, esse profissional tornou-se uma raridade, e que a transição entre o internato e uma mesa de cirurgia necessita ainda um melhor preparo.
   Neste sentido, eu me coloco como um defensor da existência do pré-requisito, afim de fornecer ao futuro cirurgião um pouco mais de desenvoltura em campo, necessária a todo o cirurgião, e que não mais tem sido realizado durante o internato.

Grato


Nome: Everton Sidney da Conceição Carvalho

Há muito tempo venho acompanhando a discussão a respeito do fim da Cirurgia Geral como pré-requisito da nossa especialidade. Eu respeito a opinião daqueles que a defendem, mas coloco-me do lado dos residentes que defendem o fim do pré-requisito.

A habilidade do cirurgião vem com a prática e, como é apresentado por muitos cirurgiões cardiovasculares, a habilidade dos que tiveram a Cirugia Geral como pré-requisito não difere tanto dos que optaram por um acesso direto.

O que devemos discutir (isso sim, um fator importante) é a melhoria da qualidade do ensino de nossa especialidade: quantos de nós está apto para montar um serviço ao fim da residência?

Sou a favor do acesso direto à Residência em Cirugia Cardiovascular, porém manifesto o desejo que se amplie o período de aperfeiçoamento (de 4 para 5 anos). Vale ressaltar que algumas especialidades cirúrgicas (Neurocirurgia, Oftalmologia, Otorrinolaringologia) não possuem a Cirurgia Geral como pré-requisito e nem por isso seus residentes se tornam cirurgiões menos habilidosos.


Nome: Pablo Spinola

Amigos, este tema realmente gera muitos argumentos contra e a favor a respeito da cirurgia geral como pré requisito. Apesar de ter realizado residencia em cirurgia geral credenciada pelo MEC acho que a residencia médica em cirurgia cardiovascular necessita de uma reformulação em relação a sua estrutura e forma de treinamento por parte dos seus preceptores e professores que tem papel fundamental no sentido da formação do cirurgião cardiaco no Brasil. A cirurgia geral como pré requisito é de fundamental importância para a formação do cirurgião cardíaco no sentido da experiência profissional (Não apenas como acompanhante desde os primeiros anos da faculdade) mas sim para a maturidade de um profissional.


Nome: Marco Rodrigo Ortiz

A FAVOR DA CIRURGIA GERAL NA FORMAÇÃO.


Nome: Jocerlano Sousa

Caros colegas,

Estou no primeiro ano de residencia em cirurgia cardiovascular, tendo feito residência em cirurgia geral por 2 anos no meu estado, Piauí. Tenho certeza que estou tecnicamente mais preparado para iniciar o treinamento em cirurgia cardiovascular, tendo em vista a inicial, mas fundamental, maturidade profissional que a cirurgia geral me proporcionou. Sendo breve... a diferença entre um recém-formado e um cirurgião geral é, sem dúvida, absurda.
Sou a favor do pré-requisito.

Abraço a todos.

Jocerlano Sousa
Editor do site da ABRECCV


Nome: Fabio de Rueda

Caros colegas, acreditamos que a experiência adquirida durante os dois anos de Cirurgia Geral (NOÇÕES E APRIMORAMENTO DOS PRINCIPIOS BÁSICOS DA TÉCNICA CIRÚRGICA, VISÃO GERAL DO PACIENTE CIRÚRGICO, MATURIDADE NA AVALIAÇÃO DE DOENTES CRÍTICOS, etc...) são imprescindíveis para um bom aproveitamento durante a formação complexa da nossa especialidade. Neste fórum muitos foram os argumentos a favor do acesso direto, mas analisando de maneira objetiva, nenhuma das alternativas garante uma formação semelhante, ou melhor, a um aspirante a especialidade de CCV do que aquela adquirida durante os dois anos de cirurgia geral. Devemos evitar a polêmica e escolher a maneira mais segura e eficiente para formar médicos na nossa especialidade. O encurtamento do período de formação privará o aspirante de experiências fundamentais ao seu aprendizado, experiências estas, adquiridas em parte durante especialização ou residência em cirurgia geral e no seguimento de toda uma carreira. É um momento de transição e devemos nos posicionar com responsabilidade para não prejudicar aqueles que estão por vir. O caminho mais curto é mais fácil, mas com certeza não é o mais SEGURO nem melhor para nossa formação, tão pouco para os pacientes que estarão sob os nossos cuidados.

Abraço,
Residentes do PROCAPE - FCM - UPE
R4. Emmanuel Thé
R3. Fabio de Rueda
R2. Rodrigo Escobar
R1. Paulo Ferraz


Nome: Cristiano Dias de Matos Luz

Sou amplamente a favor da permanência dos dois anos em cirurgia geral como pré-requisito: avaliação de pac. graves, responsabilidades cirúrgicas, princípios de técnica operatória e de cirurgias ... E neste ponto, o de oportunidades cirúrgicas é que deveriamos nos firmar com maior veêmencia, pois acho que não é o tempo longo que afasta os colegas da nossa especialidade, mas sim a perspectiva de mecado e a falta de oportunidades cirúrgicas e de realizações de procedimentos durante a residência. Sou R3 de CCV na PUC-RS,onde recebo preceptoria e orientação e já realizo "cirurias de pele a pele", tal qual o meu R4 e isso é muito gratificante e motivador. Terminar a formação apto e seguro é fundamental TAMBÉM em CCV, assim como nas ouras especialidades.


Nome: Flávio Duarte Camurça

O pré-requisito de Cirurgia Geral é essencial na formação do jovem cirurgião. Esse período do início do treinamento permite que o cirurgião tenha oportunidade de ter contato com as diversas especialidades cirúrgicas, aprendendo os princípios básicos de cirurgia. Apesar do aumento no tempo de formação de 2 anos, esse é um período de ganho na formação. Permite uma maturidade maior para podermos lidar com os pacientes de alto risco da nossa especialidade.


Nome: Bruno Marques

Sou a favor da cirurgia geral. Nao da pra um recem formado entrar no campo de uma cirurgia cardiaca.


Nome: Eduardo Farias

Os dois anos de formação em Cirurgia Geral são essenciais para o amadurecimento do profissional Médico e indispensáveis como pré-requisito para o ingresso em uma especialidade de alta complexidade como a Cirurgia Cardiovascular. Quem escolhe Cirurgia Cardiovascular depois de ter conhecido profundamente as outras especialidades cirúrgicas tem mais convicção de sua vocação.
Há que se discutir qual a finalidade da supressão do pré-requisito. A quem vem beneficiar? Ao jovem e imaturo acadêmico que sonha com uma especialidade que não conhece bem; ou aos velhos, mais interessados em mão de obra barata que em formar bons novos profissionais?
É melhor cirurgião quem tem o pré-requisito; é mais capaz de absorver o aprendizado da especialidade e, portanto, melhor Médico. Apostemos no bom senso dos que detêm o poder de decisão sobre essa questão; que seja a expressão da maioria.


Nome: Diogo Osternack

Acho que o pré requisito em cirurgia geral é um estagio fundamental para a formação não só do cirurgiào cardiovascular mas de todos os especialistas da area cirurgica. É a fase nal qual o médico recém formado vai adquirir maturidade e postura de cirurgião.


Nome: Fabricio Barreira Pombo

Acho importante a Cirurgia Geral (dois anos) como pré-requisito para Cirugia Cardiovascular. Na minha experiência foi muito importante e acho fundamental uma visão mais ampla e que vá além do tórax para nossa formação e acho que somente na graduação não a adquirimos.


Nome: Sérgio Santos

Após muitas opiniões já fica clara a bipolaridade dos argumentos onde cada um tem, com propriedade, defendido o caminho que escolheu seguir.

Entretanto, vários citaram que o foco não deveria ser este, e sim a formação em si (oportunidades cirúrgicas, horários, etc.) dentro de suas próprias equipes. Ok, mas ninguém sugeriu como isso funcionaria. Proponho duas opções: 1 - um passe de mágica (essa é difícil); 2 - que nossas reivindicações, através da ABRECCV, surtam efeito junto ao MEC e à SBCCV, e seja criado, ou incentivado, um manual de direitos e deveres dos residentes e especializandos em CCV no Brasil, onde se disponham argumentações que sensibilizem os chefes de equipe a dar mais oportunidades aos treinandos. Aí chegarão todos nos seus serviços na segunda-feira de manhã com o manual embaixo do braço: "Ainda não está pronto o caso? Hoje quem vai operar de pele à pele sou eu, e não quero papo, estou amparado pelo pessoal do MEC e da SBCCV que falou que meu treinamento deve ser otimizado para meu melhor desempenho profissional no futuro!"

Gente, com o perdão pelo tom usado, isso não se impõe numa equipe, isso jáé estabelecido de modos diferentes em cada uma delas, umas são mais flexíveis e outras menos, se está insatisfeito, sai e vai pra outra equipe, se acha que dá pra insistir, tente conquistar isso da melhor maneira possível que você consegue.

Por essa razão não creio que seja simples focar a questão só nisso, acho sim, pelas razões já referidas que deve-se excluir o pré-requesito de cir. geral (com 2 anos nem habilitado para ter o título de geral se é) e fazer como a neurocirurgia, que tem acesso direto e aumentará o período de treinamento para 5 anos.

Além do mais o treinamento em CCV "começa do começo", quem falou que o médico deve chegar sabendo tudo de pré, peri e pós-operatório? E quem falou que com 2a de geral se domina isso com louvor? Condutas nos pacientes graves. A residência serve é pra isso mesmo e muito mais, cabe a cada um escolher um bom centro.

Se é tão fundamental ser cirurgião geral, digo, fazer 2 anos de cirugia geral, onde estão as diferenças nos resultados cirúrgicos dos que fizeram e dos que não fizeram? Alguém é capaz de dizer?

Reitero, o fim do pré-requesito atrairia muitos para a especialidade, seríamos mais fortes e provaríamos para o mundo (argumento de muitos) que fomos os primeiros a fazer isso e com sucesso.

Se você aguentou ler tudo, parabéns.


Nome: Florence de Oliveira Assis

Atualmente estou no quarto ano de residência em cirurgia cardiovascular, onde parte dos meus chefes fizeram residência em cirurgia geral, o que vejo no meu dia a dia e que isto não tem influência para o nosso serviço, portanto me coloco contra a necessidade de pré - requisito de cirurgia geral para cirurgia cardíaca.


Nome: Jose Verissimo

Tenho lido todos os depoimentos e acompanhado este forum; acho que está ocorredo um grande equívoco da maioria dos colegas em seus depoimentos em prol do requisito de cirurgia geral... colegas, nao sejamos superficiais no assunto...tenho certeza que é INDISPENSAVEL uma formacao prévia em cirurgia geral,
tempo no qual o mesmo se familiarizará com a tecnica cirurgica, condutas frente ao paciente pre- trans- e pós- cirurgico, adquire mais maturidade e segurança, enfim segue crescente na curva de aprendizado, pois o cirurgiao cardiaco fatalmente ira se deparar com situacoes na qual lhe sera exigido outras habilidades que nao somente em tecnica operatoria cardiovascular.
O que devemos questionar é nao sobre a necessidade de se passar pela cirurgia geral mas sim PORQUE TEMOS QUE NOS OBRIGAR A PASSAR OBRIGATORIAMENTE PELO FUNIL DE VAGAS CRIADO PARA A CIRURGIA GERAL. Porque precisamos ser obrigados a fazer uma prova para a cirugia geral se o que queremos é cirurgia cardiaca? todos sabemos que o numero de vagas existentes para cirurgia geral é hoje INSUFCIENTE; mesmo ate que todos os que fizessem nao fossem com o intuito de outra especializacao ainda assim seriam insuficientes esse numero de vagas. Outra coisa que devemos ponderar é a deturpacao da residencia em cirurgia geral em cir. abdominal! isso todos temos experiencias em cada um dos serviços em q convivemos - a residencia d cir. geral deveria ser um periodo de dois anos no qual o treinando passa por todas as areas cirurgicas, adquirindo habilidades para o livre exercicio em procedimentos cirurgicos diversos em geral - nao é isso que vemos! a residencia d cir geral na maioria dos serviços resume-se a cirurgia abdominal. por exemplo: passamos cada vez mais a usar o recurso da cir video assistida na cir cardiaca; uma pratica adequada em video-cirurgia deveria ser adquirida na residencia d cir. geral; infelizmente na maioria dos serviços isso nao é vivenciado pelo residente.
Acredito que a proposta mais adequada seria o ACESSO DIRETO A RESIDENCIA EM CIR. CARDIACA, que poderia ser 5 ou 6 anos ate, mas no qual inicialmente (12-15-18 meses?...) o residente de cirurgia cardiaca tivesse rodizios em praticas de cirurgica geral, inclusive praticas q lhe fossem úteis futuramente em sua imersao na cir cardiovascular e toracica. Vejam bem, que NAO DEFENDO A DISPENSA EM CIR. GERAL mas tao somente a dispensa de termos q passar por um processo avaliativo injusto e restrito, onde o
numero de vagas ja é insuficiente ate para quem quer mesmo seguir a cirurgia geral.
Porque o MEC e a CNRM nao querem fazer essa modificacao e reconhecer q esse modelo vigente é ineficaz e nos faz perder tempo muitissimo precioso? basta verem em seus "contra-cheques" de residentes... a bolsa de
residencia deveria ser para suprir nossas necessidades em moradia, alimentacao e custeio educacional (livros e materais...) cobre??? claro que nao!! o medico residente no brasil é em verdade mao de obra barata!!!
vimos claramente isso na ultima greve em q todo o sistema de saude publico entrou num verdadeiro caos; aceitamos isso pq vemos como "moeda de troca" nossa titutalacao. colegas mais abastados podem se dedicar apenas ao estudo mas a maioria nao, têm que se submeter a um ou mais anos de trabalho (psf's, plantoes e afins..)apos a formatura para conseguirem "suportar" a longa invernia dos proximos desgastantes e gastosos 6 anos de residencia... Nao ha interesse do MEC e CNRM em aumentar o valor da bolsa, muito menos criarem mais vagas - q seria no minimo justo com mais da metade dos medicos q ficam sempre de fora, impedidos de seguirem em suas vocacoes... passar a cir cardiaca a acesso direto seria em partes criar algumas dessas vagas, uma vez q disponibilizaria a outras pessoas no momento em q nao precisassemos mais passar por esse primeiro "funil".
Acho q deveriamos sim reinvidicar acesso direto à cirurgia cardiaca acompanhado de uma profunda discussao curricular para a especialidade, com CERTAMENTE rodizios inicias em cir geral mas com a inclusao de outros temas, outras habilidades para o futuro cirugiao cardiaco, uma especialidade absolutamente fantastica, mas que infelizmente vemos perdendo espaço e mercado para outros profissionais inclusive da area
CLINICA (vide arritmologia, hemodinamica, radiointervencao vascular...)pq nao temos a devida preparacao em nossa formacao - a maior no Brasil – mas na qual estamos em parte desperdicando quase 1/3 desses loooooongos 6 anos, que poderiam ser muito mais proveitosos, em beneficio final sempre ao paciente e à medicina.


Nome: Carlos Jr T Karigyo
Estudante de Medicina
E-mail: carlitos1109@hotmail.com
Cidade: Londrina - PR
Instituição: Universidade Estadual de Londrina - UEL

Caros colegas,

Temos vários exemplos de países em que a especialidade de Cirurgia Cardiovascular (CCV) só pode ser realizada com o cumprimento de pelo menos 2 anos precedentes de Cirurgia Geral (CG), caso do Brasil, diferentemente do que ocorre nos EUA, em que são necessários 5 anos dessa especialidade antes de ingressar na Cirurgia Torácica (Thoracic Surgery), com duração de 3 anos, e que mescla tanto as disciplinas da Cirurgia Torácica (pulmões, pleura, esôfago) quanto as da CCV. Por outro lado, assim como ocorre em alguns serviços brasileiros de CCV, há países em que o candidato que deseja se especializar em CCV não precisa passar por 2, 3 ou 5 anos de CG.
É o que vemos no Canadá, com seus notórios cirurgiões cardíacos reconhecidos internacionalmente. Lá, o período da residência médica em CCV (Cardiac Surgery) é de 6 anos. Nos 1º e 2º anos, o residente é treinado em áreas básicas, passando pela CG, emergência, medicina intensiva, e outras subespecialidades relacionadas. Do 3º ao 6º ano, o residente entra em contato com a CCV, auxiliando nas cirurgias cardíacas, adultas e pediátricas. Além desses 6 anos, é oferecido 1 ano adicional, que permite ao formando conhecer uma área específica da CCV ou área relacionada, como ecocardiografia, cardiologia nuclear ou hemodinâmica. Mesmo com essas disparidades, os três países supra mencionados compõem centros de excelência em cirurgia cardíaca, tanto pelos serviços prestados aos pacientes quanto pelo treinamento oferecido aos seus residentes/estagiários.
Diante desses fatos, é natural questionar: pré-requisito, necessário ou não?
Certamente, para determinadas especialidades, como na Cirurgia Gastroenterológica, os conceitos aprendidos na CG são de extrema importância no desenvolvimento teórico e prático para seus residentes.
Assim como há matérias indispensáveis e aplicáveis da CG para a Urologia, Cirurgias Vascular, Plástica, Oncológica, entre outras, há matérias que, por características de cada especialidade cirúrgica, são dispensáveis, tanto quanto inexistentes em sua rotina. Nem todo o conhecimento adquirido nos 2 anos de CG será de fato utilizável nos próximos 4 anos de residência em CCV. Não será melhor o cirurgião cardíaco aquele que souber realizar uma herniorrafia inguinal ou uma colecistectomia, por exemplo. Porém, será falho se não conhecer a técnica correta de drenagem torácica, assim como se não tiver conhecimento amplo dos procedimentos do ATLS. Os conhecimentos adquiridos na CG são importantes para a maioria da especialidades cirúrgicas, dentre elas a CCV. Mas nem todos os conceitos serão, de certa forma, úteis de acordo com cada área.
Desta forma, é de suma importância frisar que podemos ter um ótimo treinamento em CCV com ou sem pré-requisito em CG, desde que os conceitos básicos necessários sejam aprendidos pelo residente. É possível ministrar matérias contidas na CG em um programa de residência em CCV de acesso direto, com uma duração média de 5 anos. É o suficiente, teoricamente.
Sigamos o exemplo da Neurocirurgia, atualmente de acesso direto, e que nos serviços credenciados pelo MEC têm duração de 5 anos, com avaliações anuais de seus residentes. Certamente cada residente de Neurocirurgia pode não saber realizar uma herniorrafia, colecistectomia ou tireoidectomia, mas com certeza está sendo treinado a realizar os procedimentos essenciais e específicos de sua área.

Um forte abraço!



 
 
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