Roteiro de Organização

Índice:

1. O que é uma Liga?
2. Para que fazer uma liga?
3. Quais são as atividades de uma liga acadêmica?
4. Como participar de uma liga acadêmica?
5. Um pouco de história
6. Algumas críticas...
7. Como formar uma liga acadêmica?

 

 

 

          1. O que é uma Liga?

          Ligas acadêmicas são entidades pertencentes a faculdades e seus complexos hospitalares. Essas entidades compartilham os mesmos objetivos de seus centros acadêmicos,  ou seja, a pesquisa , o ensino e a assistência à saúde. As ligas são compostas de estudantes das áreas da saúde e de profissionais relacionados ao tema da liga. Quanto à organização e administração, as ligas contam com certa autonomia em relação à faculdade  e  sua diretoria cabe aos acadêmicos, auxiliados pelos  profissionais (geralmente médicos).

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           2. Para que fazer uma  Liga

           Devido ao desenvolvimento de condutas terapêuticas multidisciplinares, uma liga pode contar não só com alunos de medicina, mas também com alunos de enfermagem, fisioterapia, nutrição, entre outros acadêmicos da área de saúde. Esse perfil de equipe permite um maior intercâmbio de conhecimento e aproxima o aluno da rotina hospitalar.
            A liga deve ter como objetivo a abordagem prática e complementar dos temas curriculares, não sendo, portanto, responsável pelo aprendizado básico, mas  pelo aprofundamento deste. As atividades práticas são imprescindíveis, pois viabilizam ao aluno a vivência da rotina hospitalar. Dessa forma os integrantes da liga podem ter contato com os pacientes nos processos diagnósticos e de tratamento, abordando também os aspectos humanitários relativos ao paciente e seus familiares. Além de promover a aprendizagem e a consolidação dos conhecimentos médicos, as atividades da liga apresentam o aluno às especialidades médicas, auxiliando no conhecimento de suas futuras carreiras.
            Outro pilar das ligas acadêmicas é a pesquisa. A formulação, a  interpretação e a crítica de pesquisas são de grande interesse acadêmico. Nesse contexto as ligas são vias facilitadoras que aproximam o aluno dos campos de pesquisa e seus coordenadores relacionados ao tema da liga.
Assim, os estudantes têm a possibilidade de desenvolver trabalhos científicos e até mesmo publicá-los, ou simplesmente desenvolver o espírito crítico quanto a interpretação e o desenvolvimento de pesquisas.
             A efetividade dessa  abordagem de aprendizado descrita acima é comprovada por pesquisas e reiterada por médicos, professores e alunos.

             A liga de Dor da FMUSP publicou em artigo os principais motivos que levam aos alunos a participarem de suas atividades, e vemos, pela experiência, que os motivos podem ser aplicados a todas as ligas de uma forma geral2:

 

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             3. Quais são as atividades de uma liga acadêmica?

            Cada liga tem suas atividades próprias. Preconiza-se que uma liga tenha atividades teóricas e práticas que busquem ampliar o conhecimento do aluno sobre um tema e mostrar a rotina do profissional que se especializou nesse tema.
            A liga de Cirurgia Cardiotorácica da FMUSP3, por exemplo, tem as seguintes atividades anuais:

 

 

              Muitas outras atividades, entretanto, podem ser realizadas e o desenvolvimento destas é relativa ao interesse dos alunos.

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             4. Como participar de uma liga acadêmica?

             
Cada liga tem autonomia de decidir qual será a forma de seleção dos seus alunos. Havendo mais vagas na liga do que alunos participantes, obviamente um processo de seleção será desnecessário. Os processos podem ser das mais variadas formas, mas as mais comuns são:
                  - Realização de uma prova sobre o tema.
                  - Realização de uma entrevista.
                  - Realização de sorteio, etc...
            Um aspecto importante do processo seletivo é a comunicação de forma clara sobre seus critérios de aprovação a todos os interessados.
            Costuma-se realizar um curso com algumas aulas expositivas antes da seleção para familiarizar os alunos sobre o assunto, ter um subsídio para a aplicação da prova e permitir ao estudante saber se realmente tem interesse de participar da liga.

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            5. Um pouco de História:

            Não se sabe ao certo a origem do termo liga, discute-se que essa criação possa ser nacional ou européia.
            Mas o que se sabe é que uma das ligas mais antigas que se tem notícia no Brasil e no mundo é a Liga de Combate à Sífilis, datada da década de 1920 e continua ativa até hoje na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
            Os ideais que possuíam seus primeiros integrantes são os mesmos adotados na atualidade. No regulamento da Liga de Combate à Sífilis promulgado em 15 de janeiro de 1924 temos:
            Art.2 Dos Seus Fins e Meios:
            “ A Liga de Combate à Sífilis terá com fins:
            a) Realizar gratuitamente o tratamento profilático e curativo da lues,em todos os doentes que solicitem auxilio nesse sentido.
            b) Contribuir, nas possibilidades de seu alcance, para a intensificação da luta contra essa moléstia, promovendo, quando julgar oportunas, conferências públicas, publicando folhetos e outros impressos, de maneira a ministrar ao povo conhecimentos que possam redundar em seu benefício”
            Essa mesma liga, em 1940, entregou um relatório no qual constava que a liga tinha atendido, em 20 anos de funcionamento, nos seus ambulatórios, 25.536 doentes4.
A funcionalidade das ligas, portanto, se mostra efetiva desde longa data, o que pode ser comprovado por crescente interesse por esse método de ensino pela International Federation of Medical Student´s Associations.

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            6. Algumas críticas...

            São duas as críticas mais direcionadas às ligas:
            A primeira é a de que as ligas funcionariam como “tapa buraco” de temas pouco abordados na graduação. Efetivamente isso pode ocorrer em faculdades de má qualidade de ensino em medicina, uma boa faculdade fornece aos alunos todas as informações necessárias para o ingresso na residência e formação de um profissional completo. O verdadeiro intuito de qualquer liga é aprofundamento em determinados assuntos que realmente ajudem na compreensão da matéria, mas são apenas um reforço e não devem substituir o ensino da grade curricular normal.
            A segunda é que ligas formariam especialistas durante a graduação, prejudicando o aprendizado geral que todo o aluno deve ter. O fato é que existem algumas ligas extremamente subespecializadas que realmente não trazem benefícios por tratarem de assuntos que os alunos só saberiam se fossem profissionais da área. Vale dizer, tendo como exemplo a Liga de Cirurgia Cardiotorácica, que os temas a serem abordados seriam os mais variados possíveis e de repercussão global nos sistemas do corpo humano, assim temos:
            Mesmo que a liga aborde o tema de cirurgia de revascularização do miocárdio, obrigatoriamente terá que comentar de problemas relacionados ao metabolismo, à nutrição e outros fatores de risco. Se comentar sobre aneurisma aórtico, não pode deixar de falar de hipertensão ou de problemas de colágeno, como na síndrome de Marfan. Ademais, muitos problemas cardíacos e vasculares levam a complicações renais ou pulmonares que também poderão se discutidos. Há cânceres que acometem o mediastino, enfim, o aluno continuará tendo a visão do paciente como um todo e não como um órgão apenas.

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            7. Como formar uma liga acadêmica?

           
Para formar uma liga acadêmica é necessário apenas vontade. É preciso que um grupo de alunos esteja disposto a reduzir ainda mais as suas poucas horas de atividades não acadêmicas para aprender sobre um assunto de interesse em comum.
            A partir do momento que esse grupo é formado (não precisa de muitas pessoas, mas sim que estejam comprometidas) deve-se procurar um professor da faculdade ligado ao tema e junto com ele marcar regularmente atividades teórico/práticas.
            Em termos burocráticos cada faculdade tem um regulamento, há faculdades com bastante experiência que possuem um estatuto que regula a atividade de todas as ligas, de maneira geral, e a outras que não tem qualquer tipo de regulamento, portanto deve-se procurar junto ao centro acadêmico de cada faculdade quais são os tramites legais para se formar uma liga.
            Apenas consideramos necessário que cada liga tenha um estatuto próprio, que pode ser mudado sempre que convir, indicando principalmente como e por quem a liga será administrada, como será feita a admissão dos novos participantes, e quais são as atividades da liga e seus horários.
            Ligas com alguns anos de estrada possuem registro em cartório, porém dependendo das atividades e da movimentação de dinheiro isso é dispensável.

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            Referências:

  1. S.Watmough et al. 2007. Using questionnaires to determine whether medical graduates´career choice is determined by undergraduate or postgraduate experiences. Medical Teacher 2007; 29: 830-832
  2. Pimenta, C.A.M. e col.- Liga de dor: uma experiência de ensino. Ver Hosp Clín Fac Med S Paulo, 53(4): 214-221, 1998.
  3. Apresentação da Liga de Cirurgia Cardiotorácia disponível no site da ABRECCV.
  4. História da Liga de Combate à Sífilis e a evolução da sífilis na cidade de São Paulo (1920-1995)/Dácio Burjato Júnior. – São Paulo, 1999.

            Agradecimentos:
            Aos companheiros e amigos:
            Dr. Anderson Dietrich, Ac. Marcel Faraco Sobrado e Ac. Aline Albertini

            Realização:
            Ac. Flávio Guimarães-Fernandes

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